sexta-feira, 17 de setembro de 2010

E-commerce sem embalagens

Em tempos de produtos mais “verdes” e de maior conscientização das marcas em relação à sustentabilidade e responsabilidade ambiental, deparamo-nos, muitas vezes, com visões distorcidas sobre ações rumo aos objetivos ambientalmente corretos, como no caso das sacolas plásticas tão criticadas por organismos de defesa do meio ambiente, (exemplo de bom uso das sacolas plásticas: (http://uotblog.blogspot.com/2008/08/uot-na-era-das-sacolas-oxi.html)quando na verdade o que a sociedade precisa é da diminuição de embalagens para uma menor geração de lixo doméstico, resultando em menor uso de sacolas plásticas para depositar tais lixos.

embalagem é um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente e serve principalmente para agrupar unidades de um produto, com vista à sua manipulação, transporte ou armazenamento. Outras funções da embalagem são: proteger o conteúdo, informar sobre as condições de manipulação, exibir os requisitos legais como composição, ingredientes, etc. e fazer promoção do produto através de gráficos.
Embalagem como ferramenta de marketing

Não quero ser contraditório e nem paradoxal em relação á embalagem porque acredito na sua importância para a comunicação da marca. Como a briga entre marcas é cada vez maior no ponto-de-venda, e as relações de custo e benefício são freqüentemente calculadas na hora da compra, a embalagem, único meio de comunicação presente nesse momento, ajuda a montar a percepção de qualidade versus preço necessária para se tomar qualquer decisão.

O projeto da embalagem de consumo deve ser voltado para a conveniência do consumidor, ter apelo de mercado, boa acomodação nas prateleiras dos varejistas e dar proteção ao processo. A embalagem dos produtos de consumo precisa chamar a atenção no ponto de venda, informar as características e atributos do produto e despertar o desejo de compra no consumidor.  A embalagem tem de garantir a comunicação dos benefícios, emocionais ou funcionais, e do diferencial do produto em relação aos seus concorrentes. Essa tarefa não necessariamente significa utilizar somente palavras, mas, mediante meios mais fáceis, rápidos e amigáveis, como símbolos e cores, convencer o consumidor de que esse produto é mais adequado do que o outro.

Se ela falhar nesta função o produto corre o risco de desaparecer do mercado. Pesquisa da AC Nielsem apresentada no Congresso Brasileiro de Embalagem mostrou que cerca de 80% dos produtos lançados no Brasil saem do mercado em até dois anos. A embalagem é uma poderosa ferramenta de marketing que pode ajudar o produto a conquistar a preferência do consumidor e garantir seu lugar no mercado

A embalagem faz parte da experiência do consumidor com o produto. Aqui, a percepção é realidade e a embalagem contribui fortemente para a definição de uso do produto. Por exemplo, uma caixa de bombons em uma linda embalagem negra brilhante pode ser utilizada para presentear alguém. Já o mesmo chocolate em uma caixa de papelão pode ser um companheiro para tardes em frente à TV.

Classificação dos tipos de embalagens
Embalagem de venda ou embalagem primária: envoltório ou recipiente que se encontra em contato direto com os produtos. Ex.: frasco ou blister de remédio;
 
Embalagem grupada ou embalagem secundária: é a embalagem destinada a conter a embalagem primária ou as embalagens primárias. Ex.: caixinha de remédio que contém o pote de remédio; 
Embalagem de transporte ou embalagem terciária: utilizada para o transporte, protege e facilita a armazenagem dos produtos, Ex: pallet.

São usados os mais diversos tipos de materiais em embalagens para o uso na logística, desde o papelão tradicional até plásticos. Porém, existem tendências emergentes, tais como:

Embalagens tipo sleeves, um tipo de embalagem aplicado sobre garrafas frascos e potes, constituído por uma manga de filme termo-encolhível (o que permite que após a sua exposição ao calor se adapte a forma da embalagem primária: garrafa, pote etc) este filme primeiramente decorado permite a empresa ter o maior canal de comunicação com seus consumidores. Este tipo de embalagem já foi adotado por grandes empresas para todo tipo de produtos principalmente os das indústrias lácteas e refrigerantes. 

Embalagens retornáveis sempre fizeram parte dos sistemas logísticos. Tais embalagens geralmente são de aço ou plástico. A decisão de investir num sistema de embalagem retornável requer estudo da quantidade de ciclos de embarques e de custos de transporte versus custos de compra e descarte de embalagem sem retorno, bem como os custos futuros de separar, rastrear e limpar as embalagens para reutilização. Neste caso, a própria transportadora poderia recolher a embalagem após o recebimento do produto pelo consumidor e reconduzi-la ao fornecedor.

Embalagem shrink-wrap é uma embalagem a vácuo. Ela é executada colocando-se uma película pré-esticada sobre a carga unitizada de embalagens secundárias, película essa que é encolhida por meio de aquecimento, para fazer as embalagens aderirem à plataforma como um volume único.

Embalagem stretch-wrap é uma embalagem também a vácuo. Ela é executada envolvendo-se a carga a uma película plástica esticada, fazendo-se a carga rodar e ser envolvida pela película, o que resulta numa carga única, embalada sob pressão.

Fim da embalagem secundária

Agora que sabemos a importância da embalagem como objeto de comunicação eficiente e do potencial diferencial na “hora da verdade” para com o consumidor, que na maioria das vezes é fortemente influenciado por ela, vamos falar da falta que ela não faz na decisão de compra no comércio eletrônico.

Diferentemente do que acontece nas lojas de tijolos, quando compramos pela internet vemos imagens e características do próprio produto, sem embalagem. Daí,a pergunta que não quer calar?

Se comprarmos os produtos visualizando diretamente suas características, por que recebê-los com as embalagens usadas nos PDVs tradicionais?

Existe todo um movimento visando economizar recursos naturais como os Ipad em substituição às revistas de papel, jornais online e etc. Para ter idéia do nível de preocupação ambiental, um documento radical, apoiado por organizações do segmento e pelos principais designers e consultorias, planeja definir um novo padrão de sustentabilidade em design denominado de “O Acordo de Designers" , que já foi assinado por milhares de designers e continua sendo assinado por muitos outros, inclui em seu comitê consultivo, Paul Hawken, autor "best-seller” e fundador do Natural Capital Institute (Instituto do Capital Natural), o CEO da IDEO, Tim Brown, entre outros. 

O Acordo dos Designers surgiu na época do crescente interesse e demanda por produtos, serviços e práticas de negócios sustentáveis, mas em uma era de incerteza contínua sobre como definir ou medir o nível "ecológico" e a crescente impaciência dos consumidores com as falsas declarações ecológicas de algumas empresas. Embora ainda seja cedo para estimar seu impacto, o acordo tem o potencial de alterar de forma drástica a prática do design e as práticas de negócios dos milhares de empresas que trabalham com consultorias de design. Um dos pontos do acordo diz respeito a embalagens.

Para obter uma lista completa dos princípios e mais informações sobre o Acordo dos Designers, acesse designersaccord.org.

No e-commerce deveriam existir, observadas as devidas exceções, apenas embalagens de transporte ou embalagens terciárias com ênfase em logística para o transporte das embalagens primárias, eliminando-se, assim, as embalagens secundárias, aquelas que mencionamos como ferramentas de comunicação. Dessa forma, se conseguiria grande economia de custos em escala; economia de recursos naturais; além, é claro, de substancial diminuição do lixo doméstico. 

Exemplo? Ao comprar uma pasta de dentes na gôndola do supermercado lemos atentamente sobre suas características e benefícios na embalagem que envolve o tubo (embalagem secundária). Entretanto, se formos comprar a mesma pasta na internet teremos todas as informações exibidas na tela do computador.

Então, para que a embalagem? – calma, ainda vai chegar o dia em que comprará um simples creme dental pela web.  

Em logística existe a unitização, que é o agrupamento de caixas numa carga única, formando um só volume. Bingo! Mais economia para o comércio eletrônico. Se for comprar 10 itens de varejo no walmart.com.br, nada mais econômico e responsável que recebê-los numa única embalagem, guardadas as devidas proporções. 

As cargas unitizadas apresentam muitas vantagens. São reduzidos o tempo de descarga e o congestionamento no ponto de destino, é facilitado o manuseio de materiais pela verificação das mercadorias, em sua entrada e no rápido posicionamento para a separação de pedidos.

Acredito que muita gente deve estar pensando a mesma coisa sobre embalagens e gostaria que as empresas varejistas que atuam no comércio eletrônico se sensibilizassem iniciando um movimento exigindo de seus fornecedores a diferenciação de embalagens entre as lojas convencionais e as lojas online, bem como a mudança de paradigma logístico, pela diminuição da pegada ecológica.

De minha parte tenham certeza que passaria a consumir produtos com menos embalagens. E você?

Espalhe esta idéia. Vamos criar o movimento “e-commerce sem embalagem

Cole o selo no seu site



 










Design e funcionalidade apenas para o produto, comunicação eficiente online, e nada de embalagem desnecessária.

Paulo Rubini
Apaixonado por sustentabilidade sem frescura

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

PayPal patrocina liquidação online DETONAWEB

portal Baguete 13/09/2010 - Maurício Renner

O Paypal, site de pagamentos americano que está iniciando operações no Brasil, patrocina a 10ª edição da liquidação online Detonaweb, que reunirá 20 marcas do varejo brasileiro.

A idéia é estimular os cadastros dos interessados no site. O Detonaweb oferece condições especiais como descontos de até 50% nos preços, fretes grátis e possibilidade de parcelamento em até 12 vezes.

Todas as ofertas estarão concentradas em um hotsite único, o que não acontecia em edições anteriores.

“Isto dará às pessoas a chance de comparar com mais facilidade e consequentemente criará uma concorrência entre os participantes que levará ao aumento de benefícios ao comprador”, explica Sergio Herz, coordenador do Comitê de Varejo Online da Camara-e.net, que organiza a   promoção.

Em 2009 o hot site da campanha recebeu mais de 690 mil acessos de internautas nos cinco dias de ofertas.

Quem participa

As 20 lojas participantes da Detonaweb são: Americanas.com, Auto Z (portal do grupo Dpaschoal), Carrefour, Colombo, Comprafacil.com.br, eFacil (Portal do atacadista Martins),Extra.com.br, LivrariaCulturacom.br, LivrariaSaraiva.com.brMagazineLuiza.com.br,Marisa.com.br, Ponto Frio,  Sack’s, Salfer, Shoptime.com.brSiciliano.com.br,Submarino.com.br, TokStok.com,  Videolar.com  e Wal Mart.

Comprafácil.com.br não tão fácil. 

sábado, 11 de setembro de 2010

Código de Defesa do Consumidor completa 20 anos



Reconhecida como a lei mais avançada do mundo no que diz respeito às relações entre consumidores e fornecedores, a Lei Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, mais conhecida como Código de Defesa do Consumidor pode, tem muito a comemorar nestes 20 anos de existência.

Hoje, parece muito natural que o consumidor vá a uma loja, compre qualquer produto e leve para casa exatamente aquilo que ele viu na vitrine, com as condições de pagamento anunciadas, preço e taxas bem claros. Antes de 11 de setembro de 1990 não era bem assim.

Era comum comprar uma coisa e ver que a garantia do produto fugia completamente do oferecido. Os alimentos, por sua vez, não tinham sequer data de validade ou informações nutricionais, atualmente encontradas em qualquer embalagem.

Para especialistas, o CDC (Código de Defesa do Consumidor) pautou uma mudança de postura do cidadão, que passou a ser mais exigente. O grande passo para construção de uma relação de consumo mais justa foi o entendimento de que o consumidor é o elo mais frágil da corrente: o fornecedor é que passou a ter de provar que entregou o produto ou serviço de acordo com o combinado.

Confesso que sou fã incondicional do CDC, principalmente pela igualdade de condições que ele propicia entre consumidor e fornecedor.
 

Abaixo alguns links interessantes de artigos que escreví sobre o assunto.

Dia mundial do Consumidor


Seis dicas para lidar com as reclamações dos clientes
Código de Defesa do Consumidor. Oportunidade ou ameaça?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quando a dívida é a alma do negócio

venda de carteira
Jornal Diário do Comércio 08/09/2010 - Fernanda Pressinott


A inadimplência acima de 360 dias é calculada em R$ 40 bilhões de acordo com dados do Banco Central (BC) e consultorias especializadas. É um dinheiro considerado perdido ou muito custoso para ser resgatado por  empresas que precisam cobrar clientes com atraso no pagamento. Uma alternativa aos que não desejam despender muitos recursos ou sair do objetivo principal do negócio é vender essa carteira de pessoas que estão inadimplentes.

Estima-se que esse tipo de comércio movimente cerca de R$ 20 bilhões no País neste ano. Em 2009, com a crise econômica, os negócios decaíram e foram movimentados apenas R$ 10 bilhões (veja gráfico).

Mas quem vende e quem compra essas carteiras? Quais são as vantagens? Os vendedores são grandes conglomerados financeiros, varejistas, escolas, universidades, companhias de energia ou qualquer outra empresa que tenha que gerenciar o não pagamento de serviços ou produtos.

A vantagem principal em se livrar da carteira de clientes em atraso é antecipar os recebíveis e, dessa forma, trazer resultados financeiros a valor presente. Por isso, a venda de carteiras de inadimplentes é feita geralmente no terceiro trimestre do ano, antes do fechamento do balanço.

Custos – Outros motivos para esse comércio são dar atenção aos clientes produtivos e deixar de lado os que estão "atrapalhando" o negócio de forma a reduzir custos operacionais. "Algumas companhias mantêm enormes centros de cobrança com muitos funcionários e uma infraestrutura desnecessária para o negócio. Isso deixa de existir ou diminui consideravelmente com a venda dos inadimplentes", afirmou o sócio da WitRisk – consultoria especializada em gestão de risco – Ricardo Kalichsztein.

Nos Estados Unidos, o comércio de carteiras é comum e acontece até mesmo antes da inadimplência, apenas para que as empresas mantenham-se no objetivo principal do negócio. Mas a operação pode ser feita com inadimplentes de 90 dias, 180 dias ou o prazo que a empresa preferir.

Além dos benefícios já mencionados, as instituições financeiras particularmente podem usar os recursos antecipados para oferecer novos créditos aos clientes sem bater no índice de Basileia (que mede a solvência dos bancos levando em consideração os ativos comercializados e o patrimônio líquido da instituição).

Compradores – Do outro lado, os compradores são empresas especializadas nesse mercado, companhias de cobrança, private equities e bancos de investimento. No Brasil, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, as empresas de cobrança atuam às vezes como intermediárias na negociação e não na ponta final.

Eles estão interessados no que pode ser considerado o grupo dos piores clientes e apostam que têm mais eficiência na cobrança que a provedora de produtos ou serviços. São empresas com modelos estatísticos avançados, operação eficiente, funcionários mais capacitados e voltados apenas em reativar o pagamento. "Companhias de cobrança também ganham na escala.  É melhor comprar uma carteira para aproveitar as posições físicas, os funcionários, os pacotes de telefonia, entre outros", disse Kalichztein.

Os fundos e private equities também compram as carteiras para lançar derivativos e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICS). Outra forma de aquisição é por meio de fusões e aquisições, nas quais a carteira entra na composição dos ativos negociados.

O Santander costuma negociar  clientes em recuperação no mundo todo e, no Brasil, já fez oito vendas de carteira com status de prejuízo. "Fazemos para antecipar os resultados financeiros e temos tido sucesso", afirmou um funcionário, que preferiu não se identificar, no C4 - Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor, realizado na semana passada, em São Paulo.

O banco vende as carteiras por meio de leilão. Antecipadamente, calcula os custos operacionais e o fluxo de caixa da carteira sob negociação e define o preço. Para garantir que o comprador tratará os clientes com idoneidade, sem manchar a imagem da instituição, um contrato rigoroso é assinado entre as partes e é dado um aviso aos correntistas sobre a situação da cobrança.

A Telefônica realizou uma venda de carteira no fim de 2007, mas a diretoria da operadora não considerou os resultados satisfatórios. "Os riscos são grandes no atendimento ao cliente. Não sabemos se, ao colocar a carteira na mão do investidor, ele seguirá as regrasda Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que regulamenta nosso serviço", disse um funcionário da empresa que participou da venda da carteira, mas que também não pode se identificar.

Procuradas, as assessorias do Santander e Telefônica não se manifestaram até o fechamento desta edição.

Em função do mercado brasileiro ainda ser pequeno em comparação com o da Europa e dos Estados Unidos, o comércio de carteiras entre empresas de pequeno e médio portes é quase inexistente. "Elas não organizam dados e os compradores ficam impossibilitados de precificar as carteiras. Mas é um negócio interessante para qualquer tipo de empreendimento, até mesmo para lojinhas de bairro que têm alto índice de inadimplência", afirmou Kalichsztein.

A precificação da carteira é complexa e leva em conta os prováveis recebíveis em um período determinado – que varia de um a cinco anos – trazidos pelo fluxo de caixa a valor presente.

Processo de venda por meio de leilão:

- A empresa faz uma análise da carteira
- Define preços preliminarmente
- Prepara uma carta-convite a ser distribuída no mercado
- Estrutura um data room (espaço virtual com a documentação para análise dos compradores)
- O comprador faz carta de intenção de compra com o preço que acha adequado
- As ofertas são avaliadas pelo vendedor
- Um contrato jurídico é assinado e são estabelecidas as diretrizes da operação
- A vendedora acompanha a migração da carteira e o atendimento aos ex-clientes
- É estabelecido um fluxo de informações entre as partes

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Cartão de crédito é dinheiro!

 jornal Folha de S. Paulo 23/08/2010 - Maria Inês Dolci

O Banco Central está pronto para atuar, novamente, contra os interesses dos consumidores brasileiros. Há forte tendência de que, em uma futura regulamentação do segmento de cartões de crédito, seja permitida a cobrança diferenciada entre cartões, dinheiro e cheque. Ou seja, o BC está inclinado a atender às demandas dos lojistas.

A alegação dos comerciantes é que pagam pelo aluguel das máquinas leitoras e também uma taxa em cada transação. Os valores estariam hipertrofiados e a conta, segundo eles, deveria ser enviada para quem sempre as recebe: nós. Não é justo nem boa prática comercial.

Os lojistas ganharam muito ao aceitar cartões de créditos. E continuam ganhando. A estrutura de crediário era pesada e cara. Nem sempre resolvia, contudo, a ameaça de inadimplência.

As pessoas compravam além de suas possibilidades e não quitavam os carnês em dia.

Cheques sem fundos eram outro fantasma que tirava o sono dos comerciantes. Cheques roubados também.

Outra estrutura pesada tratava disso, com o apoio dos serviços de proteção ao crédito. Mas, em algumas situações, alguma coisa falhava, e o prejuízo era certo.

Até o dinheiro em espécie pode ser problemático, se for falsificado -isso existe, sim- e também em sua armazenagem.

O cartão de crédito tem muitas falhas. O crédito rotativo é proibitivo, nem sempre a dispensa de anuidade é verdadeira -com cobranças embutidas por uso e por não uso.

O cartão de plástico foi adotado pelos brasileiros. Evita que se carregue muito dinheiro em nossas ruas inseguras. Pode ser bloqueado em caso de furto ou roubo. E facilita o controle dos gastos, via fatura mensal.

Além disso, quando há promoções de fabricantes, lojistas e operadoras, contas podem ser pagas em três vezes, em média, sem juros.

A unificação das máquinas leitoras já reduz o custo dos cartões para os comerciantes, pois antes tinham que pagar o aluguel de dois, três ou mais equipamentos.

Resta prosseguir em negociação com as operadoras para reduzir a cobrança das transações.

Nas lojas, contudo, estabeleceu-se a prática de pressionar o cliente para que pague com cheque ou com dinheiro. Prática abusiva e contrária ao artigo 39, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor.

Criar embaraços ao pagamento de compras de produtos e de serviços não me parece muito inteligente. Desestimular o uso de cartões de crédito, então, pode se virar contra quem vende.

A regulamentação deveria evoluir em outra direção. Discutir limites de juros no crédito rotativo, assegurar o direito de renegociação de taxas, definir quem responde pela segurança das transações na internet.

Talvez até mediar as taxas cobradas dos lojistas. Diferenciar o que é prática comercial dos abusos e cláusulas leoninas.

Também é fundamental avançar na transparência dos contratos e da educação dos consumidores, a fim de que não percam o controle dos gastos. Especialmente para que não recorram ao crédito rotativo como forma de financiamento, uma das mais caras e impagáveis que existem no mercado.

O uso de cartões para compras na internet também carece de normas específicas, adequadas ao crescimento das compras virtuais. Que só são virtuais por ocorrer na web, mas que têm fraudes bem reais.

O momento é muito bom para isso. A economia está crescendo e as classes emergentes querem mais conforto e mais segurança. Isso se traduz em ir às compras.

Engarrafar esse trânsito com medidas equivocadas só vai atrapalhar a vida de todos. Cobrança diferenciada, ao fim e ao cabo, reduzirá as compras e os lucros de quem produz e de quem vende.

Não creio que o objetivo da regulamentação seja esse. Por pensar somente no lucro imediato, entretanto, os comerciantes podem perder milhões de compradores.

Que o BC, que se omitiu quando as instituições financeiras quiseram solapar o CDC, não erre novamente contra os consumidores.

MARIA INÊS DOLCI , 54, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores. Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, nesta coluna.

sábado, 28 de agosto de 2010

Gentileza é grátis e dá lucro!

Pra corroborar alguns artigos que tenho escrito acerca de prestação de serviço, atendimento ao consumidor, tais como "Apenas cumpra o que promete" ou  "CompraFacil.com não é nada fácil!", reproduzo um excelente artido da HSM.
Tom Peters: Gentileza é grátis e dá lucro!


A Ebay tem 14 mil funcionários, a Amazon 20 mil e a Craiglist tem apenas 30. Quantas pessoas você precisa: 10 mil ou 30? Pense nisso cada vez que tiver que executar alguma coisa, alertou Tom Peters, ao analisar com cuidado a situação de pressão que vivem os gestores em função da concorrência.
“A situação de vocês é perigosa. E essas situações exigem estratégias extremas e não estratégias medíocres”, declarou, defendendo que serviço hoje é uma transação, uma experiência, e uma forma de engajamento sustentável. “No Starbucks, por exemplo, os clientes querem uma experiência e um pouquinho de café”. Mas como subir na escala de valor agregado?

Peters enfatiza que você pode fazer uma tonelada com matéria-prima, mas o interessante é ter uma proposta de valor agregado diferente. “Toda empresa deveria ter um diretor de experiência”, aconselha, defendendo que a coisa mais dura e duradoura são os relacionamentos, os nossos clientes, por isso a importância da execução com Excelência.“Execução são as pessoas. Se você executar bem, já ganhou dos outros. Sou louco por execução”, declarou.

Gentileza = negócios repetidos = lucro

Peters foi enfático ao afirmar que você só ganha dinheiro na segunda, na terceira vez que serve alguém.“Generais heróicos ganham batalhas, generais políticos ganham guerras”, afirmou e fez o paralelo para as empresas, afirmando que estas são iniciativas vitais, alegres e inovadoras que pretendem aumentar o potencial humano. Para ele, as empresas só existem por um único motivo: para prestar serviços. E isso vale para uma igreja, um hospital, uma loja e para todo mundo. "O caminho para a maximização do lucro é uma atitude decente".

Loja feia com atitude feia não tem sucesso, loja linda e atitude horrível, não vai a lugar algum também. “Invista 20% do orçamento do capital e invista em pessoas, mesmo que você não possa fotografar um funcionário, como você faria com o investimento em um prédio ou máquina. Faca a coisa direito e você serve o cliente melhor em qualquer circunstancia”.

Peters citou o exemplo de Dave Liniger, que é o fundador da empresa imobiliária do mundo real, a RE / MAX. Ele diz: "A pessoa que compra a casa com o último cliente não é o principal cliente. A pessoa que é o meu principal cliente é a pessoa que trabalha com/para mim, que está servindo o cliente. Nós somos uma vida de sucesso da empresa. Meu negócio é fazer as pessoas que trabalham para mim ter sucesso como seres humanos, e transformar suas vidas em uma forma valiosa e útil. Somos uma companhia de sucesso de vida. Minha obrigação é servir os meus agentes que servem os clientes”.

Satisfação e retenção

Para Tom Peters, as simples cortesias são a base da satisfação e retenção de clientes e funcionários.
Como líder, você precisa dedicar a sua carreira para o desenvolvimento de 100% das pessoas no seu cargo. “Você saberá que está tendo sucesso quando puder ver que eles estão comprometidos com a excelência em tudo que fazem”.

Peters questionou: “Qual é a diferença entre uma Cia de teatro e um departamento de TI? As pessoas têm a mesma importância”, afirmou. Para ele, business é dar algo compensador para a vida das pessoas. Caso contrário, não vale a pena, uma vez que as pessoas são a marca.“Sem lucro não dá para ter talento. O lucro é uma conseqüência do talento”, finalizou.

A pesquisa da Associates Press Ganey que consultou 139.380 ex-pacientes de 225 hospitais em "satisfação do paciente", mostrou os 15 mais poderosos determinantes da referida satisfação do paciente. Nem uma única das 15 principais fontes de satisfação dos pacientes tinha a ver com a evolução da saúde do paciente. Todos os 15, com efeito, estavam relacionados à qualidade da interação do paciente com a satisfação pessoal dos funcionários do hospital e entre os membros da equipe.

Ouvir os pacientes ou responder as suas perguntas não custa nada. Poderia argumentar-se que pacientes negativos e interações alienantes, sendo insensível às suas necessidades, ou limitar o seu sentido de controle pode ser muito caro.

Desta experiência, Peters listou as seguintes lições:
1 - A qualidade das interações positivas pode ser mais memorável do que o problema.2 - Funcionários felizes, clientes satisfeitos. 3 – Fazer a coisa certa gera qualidade.4 – A gentileza é de graça e dá lucro.

HSM Online
24/08/2010




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Apenas cumpra o que promete

Não sei se por causa do trabalho como consultor de marketing, me obrigando a ser muito observador, ou apenas por ser mais um consumidor atento, estou cada vez mais desanimado com o segmento de serviços.

Philip Kotler Tom Peters vêm falando em suas recentes palestras que os consumidores, pelo fato de terem uma gama cada vez maior de informações - e a “um clique” de distância - estão transformando quase todos os produtos em commodities, com preços e qualidade praticamente idênticos.

O que resta aos players? Diferenciação por valor oferecido.

Óbvio? Sim. 

Mas não é o que acontece e tenho observado um efeito reverso. Maior foco na velocidade das vendas para manter um cash flow razoável tendo em vista as reduzidas e parecidas margens.

Recentemente, submeti-me a uma experiência pouco recomendável ao construir um novo imóvel para residir com minha família. Cerca de 90 % dos fornecedores de serviços não cumpriram o que prometeram. Foram coisas básicas que geraram problemas muitas vezes irreparáveis como um instalador de portas e pisos de madeira que arranhou o porcelanato ao apoiar portas diretamente no piso acabado; sujeira originada do pó de madeira serrada dentro do apartamento, resultando na necessidade de nova pintura; medidas de portas e janelas de vidro não conferidas; atraso na entrega dos armários embutidos; eletrodoméstico com defeito de fábrica e assistência medíocre e não comprometida com a marca... Enfim, toda sorte de péssimo atendimento que poderia ser evitado apenas com revisão de processos.

O mais impressionante é a total miopia desses empresários. Cheguei a oferecer ajuda para um conhecido empreendedor com intuito de ajudá-lo no diagnóstico de problemas que observei na organização de seu negócio e, acreditem, disse-me: “ah! Isso é assim mesmo, não adianta falar com os empregados sobre como prodecer”. Ora, se você administra um negócio com essa visão de apatia e conformismo, conte os dias.

Conheça seus processos, posicione as pessoas nos lugares certos, estabeleça um leiaute que propicie interdependência e agilidade, assegure-se que o serviço foi bem executado agindo pró - ativamente e não deixe isso para o pessoal de vendas. 


Isso é só o começo.

Deixe o pessoal de vendas cuidando apenas das vendas e de follow-up lastreado em gestão de relacionamentos; e NUNCA, mas NUNCA mesmo, deixe que se intrometam na área de execução de serviços. Deve existir um gestor para isso com visão sistêmica dos processos e de suas interligações.

Um empregado não engajado com missão e visão de seu negócio pode levar-lhe a falência...GAME OVER, dependendo do tamanho de sua empresa. DEMITA-O, e para os comprometidos, valorização e treinamento.

Ainda segundo Kotler e Peters, o consumidor moderno, em razão da quantidade de opções encontradas no mercado e pela comoditização dos produtos, pretende apenas que o fornecedor cumpra o prometido. APENAS isso. O resto: qualidade, design, preço, marca e etc., ele sabe como encontrar.

Amigos, isso não é um desabafo, muito menos uma denúncia de “maus tratos”, mas apenas uma triste constatação e um alerta de que para aqueles com forte senso de oportunidade, o sucesso pode chegar mais rapidamente no Brasil em crescimento com índices de 1º mundo.

O ritmo em que os indivíduos e organizações aprendem pode se tornar a única vantagem competitiva sustentável.”  Arie de Geus