Google+ Followers

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

E-commerce sem embalagens

Em tempos de produtos mais “verdes” e de maior conscientização das marcas em relação à sustentabilidade e responsabilidade ambiental, deparamo-nos, muitas vezes, com visões distorcidas sobre ações rumo aos objetivos ambientalmente corretos, como no caso das sacolas plásticas tão criticadas por organismos de defesa do meio ambiente, (exemplo de bom uso das sacolas plásticas: (http://uotblog.blogspot.com/2008/08/uot-na-era-das-sacolas-oxi.html)quando na verdade o que a sociedade precisa é da diminuição de embalagens para uma menor geração de lixo doméstico, resultando em menor uso de sacolas plásticas para depositar tais lixos.

embalagem é um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente e serve principalmente para agrupar unidades de um produto, com vista à sua manipulação, transporte ou armazenamento. Outras funções da embalagem são: proteger o conteúdo, informar sobre as condições de manipulação, exibir os requisitos legais como composição, ingredientes, etc. e fazer promoção do produto através de gráficos.
Embalagem como ferramenta de marketing

Não quero ser contraditório e nem paradoxal em relação á embalagem porque acredito na sua importância para a comunicação da marca. Como a briga entre marcas é cada vez maior no ponto-de-venda, e as relações de custo e benefício são freqüentemente calculadas na hora da compra, a embalagem, único meio de comunicação presente nesse momento, ajuda a montar a percepção de qualidade versus preço necessária para se tomar qualquer decisão.

O projeto da embalagem de consumo deve ser voltado para a conveniência do consumidor, ter apelo de mercado, boa acomodação nas prateleiras dos varejistas e dar proteção ao processo. A embalagem dos produtos de consumo precisa chamar a atenção no ponto de venda, informar as características e atributos do produto e despertar o desejo de compra no consumidor.  A embalagem tem de garantir a comunicação dos benefícios, emocionais ou funcionais, e do diferencial do produto em relação aos seus concorrentes. Essa tarefa não necessariamente significa utilizar somente palavras, mas, mediante meios mais fáceis, rápidos e amigáveis, como símbolos e cores, convencer o consumidor de que esse produto é mais adequado do que o outro.

Se ela falhar nesta função o produto corre o risco de desaparecer do mercado. Pesquisa da AC Nielsem apresentada no Congresso Brasileiro de Embalagem mostrou que cerca de 80% dos produtos lançados no Brasil saem do mercado em até dois anos. A embalagem é uma poderosa ferramenta de marketing que pode ajudar o produto a conquistar a preferência do consumidor e garantir seu lugar no mercado

A embalagem faz parte da experiência do consumidor com o produto. Aqui, a percepção é realidade e a embalagem contribui fortemente para a definição de uso do produto. Por exemplo, uma caixa de bombons em uma linda embalagem negra brilhante pode ser utilizada para presentear alguém. Já o mesmo chocolate em uma caixa de papelão pode ser um companheiro para tardes em frente à TV.

Classificação dos tipos de embalagens
Embalagem de venda ou embalagem primária: envoltório ou recipiente que se encontra em contato direto com os produtos. Ex.: frasco ou blister de remédio;
 
Embalagem grupada ou embalagem secundária: é a embalagem destinada a conter a embalagem primária ou as embalagens primárias. Ex.: caixinha de remédio que contém o pote de remédio; 
Embalagem de transporte ou embalagem terciária: utilizada para o transporte, protege e facilita a armazenagem dos produtos, Ex: pallet.

São usados os mais diversos tipos de materiais em embalagens para o uso na logística, desde o papelão tradicional até plásticos. Porém, existem tendências emergentes, tais como:

Embalagens tipo sleeves, um tipo de embalagem aplicado sobre garrafas frascos e potes, constituído por uma manga de filme termo-encolhível (o que permite que após a sua exposição ao calor se adapte a forma da embalagem primária: garrafa, pote etc) este filme primeiramente decorado permite a empresa ter o maior canal de comunicação com seus consumidores. Este tipo de embalagem já foi adotado por grandes empresas para todo tipo de produtos principalmente os das indústrias lácteas e refrigerantes. 

Embalagens retornáveis sempre fizeram parte dos sistemas logísticos. Tais embalagens geralmente são de aço ou plástico. A decisão de investir num sistema de embalagem retornável requer estudo da quantidade de ciclos de embarques e de custos de transporte versus custos de compra e descarte de embalagem sem retorno, bem como os custos futuros de separar, rastrear e limpar as embalagens para reutilização. Neste caso, a própria transportadora poderia recolher a embalagem após o recebimento do produto pelo consumidor e reconduzi-la ao fornecedor.

Embalagem shrink-wrap é uma embalagem a vácuo. Ela é executada colocando-se uma película pré-esticada sobre a carga unitizada de embalagens secundárias, película essa que é encolhida por meio de aquecimento, para fazer as embalagens aderirem à plataforma como um volume único.

Embalagem stretch-wrap é uma embalagem também a vácuo. Ela é executada envolvendo-se a carga a uma película plástica esticada, fazendo-se a carga rodar e ser envolvida pela película, o que resulta numa carga única, embalada sob pressão.

Fim da embalagem secundária

Agora que sabemos a importância da embalagem como objeto de comunicação eficiente e do potencial diferencial na “hora da verdade” para com o consumidor, que na maioria das vezes é fortemente influenciado por ela, vamos falar da falta que ela não faz na decisão de compra no comércio eletrônico.

Diferentemente do que acontece nas lojas de tijolos, quando compramos pela internet vemos imagens e características do próprio produto, sem embalagem. Daí,a pergunta que não quer calar?

Se comprarmos os produtos visualizando diretamente suas características, por que recebê-los com as embalagens usadas nos PDVs tradicionais?

Existe todo um movimento visando economizar recursos naturais como os Ipad em substituição às revistas de papel, jornais online e etc. Para ter idéia do nível de preocupação ambiental, um documento radical, apoiado por organizações do segmento e pelos principais designers e consultorias, planeja definir um novo padrão de sustentabilidade em design denominado de “O Acordo de Designers" , que já foi assinado por milhares de designers e continua sendo assinado por muitos outros, inclui em seu comitê consultivo, Paul Hawken, autor "best-seller” e fundador do Natural Capital Institute (Instituto do Capital Natural), o CEO da IDEO, Tim Brown, entre outros. 

O Acordo dos Designers surgiu na época do crescente interesse e demanda por produtos, serviços e práticas de negócios sustentáveis, mas em uma era de incerteza contínua sobre como definir ou medir o nível "ecológico" e a crescente impaciência dos consumidores com as falsas declarações ecológicas de algumas empresas. Embora ainda seja cedo para estimar seu impacto, o acordo tem o potencial de alterar de forma drástica a prática do design e as práticas de negócios dos milhares de empresas que trabalham com consultorias de design. Um dos pontos do acordo diz respeito a embalagens.

Para obter uma lista completa dos princípios e mais informações sobre o Acordo dos Designers, acesse designersaccord.org.

No e-commerce deveriam existir, observadas as devidas exceções, apenas embalagens de transporte ou embalagens terciárias com ênfase em logística para o transporte das embalagens primárias, eliminando-se, assim, as embalagens secundárias, aquelas que mencionamos como ferramentas de comunicação. Dessa forma, se conseguiria grande economia de custos em escala; economia de recursos naturais; além, é claro, de substancial diminuição do lixo doméstico. 

Exemplo? Ao comprar uma pasta de dentes na gôndola do supermercado lemos atentamente sobre suas características e benefícios na embalagem que envolve o tubo (embalagem secundária). Entretanto, se formos comprar a mesma pasta na internet teremos todas as informações exibidas na tela do computador.

Então, para que a embalagem? – calma, ainda vai chegar o dia em que comprará um simples creme dental pela web.  

Em logística existe a unitização, que é o agrupamento de caixas numa carga única, formando um só volume. Bingo! Mais economia para o comércio eletrônico. Se for comprar 10 itens de varejo no walmart.com.br, nada mais econômico e responsável que recebê-los numa única embalagem, guardadas as devidas proporções. 

As cargas unitizadas apresentam muitas vantagens. São reduzidos o tempo de descarga e o congestionamento no ponto de destino, é facilitado o manuseio de materiais pela verificação das mercadorias, em sua entrada e no rápido posicionamento para a separação de pedidos.

Acredito que muita gente deve estar pensando a mesma coisa sobre embalagens e gostaria que as empresas varejistas que atuam no comércio eletrônico se sensibilizassem iniciando um movimento exigindo de seus fornecedores a diferenciação de embalagens entre as lojas convencionais e as lojas online, bem como a mudança de paradigma logístico, pela diminuição da pegada ecológica.

De minha parte tenham certeza que passaria a consumir produtos com menos embalagens. E você?

Espalhe esta idéia. Vamos criar o movimento “e-commerce sem embalagem

Cole o selo no seu site



 










Design e funcionalidade apenas para o produto, comunicação eficiente online, e nada de embalagem desnecessária.

Paulo Rubini
Apaixonado por sustentabilidade sem frescura

Nenhum comentário: