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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Liderança e gestão – Conheça as diferenças




Um conceito errôneo muito comum sobre liderança é que essa é uma habilidade de uns poucos escolhidos. Alguns acham que é apenas questão de possuir certas características quase místicas – como carisma e visão – ou você as possui ou não.


A verdade é que habilidades de liderança não são inatas. Elas podem ser adquiridas e aprimoradas.

Para compreender a verdadeira função dos líderes, é importante compreender a diferença entre gestão e liderança. São dois sistemas de ação distintos e complementares.

Gerenciar é lidar com complexidade; liderar é lidar com mudanças.

Gestão diz respeito a trazer ordem e previsibilidade à determinada situação, enquanto liderança diz respeito a adaptar-se a mudanças – uma habilidade progressivamente importante para o ambiente empresarial volátil e competitivo dos dias de hoje. Dessa forma, o trabalho de gestão é substancialmente diferente do trabalho de liderança.

Por exemplo, enquanto gestão exige habilidades de planejamento e elaboração de orçamentos, liderança exige a habilidade para definir uma direção. Organização e contratações são tarefas de gestão, enquanto que alinhamento de pessoas enquadra-se no âmbito da liderança. Por último, enquanto gestão diz respeito a controle e solução de problemas, liderança diz respeito a motivação e inspiração de uma equipe.

Uma das funções-chave da liderança é definir uma direção para as mudanças. Definir uma direção para mudanças requer que os líderes coletem uma vasta gama de dados e encontrem  padrões, relações e vínculos. O alinhamento das pessoas se enquadra em liderança, não em gerenciamento. Para alinhar as pessoas por trás de uma visão, um líder deve solicitar informações e discussões do maior número de pessoas possível, ajudá-las a compreender uma visão de um futuro alternativo, e fazer com que as pessoas acreditem e sejam estimuladas por essa visão.

Reconhecer e premiar o sucesso são parte do processo de liderança de motivação e inspiração. Motivação e inspiração fazem com que as pessoas se sintam estimuladas não porque são pressionadas ou atraídas para a direção certa, mas pela satisfação das necessidades humanas básicas de realização.
Uma liderança bem sucedida exige poderosas:

·         Habilidades de comunicação: para falar e escrever de forma convincente.
·         Habilidades interpessoais: para ouvir o que as pessoas estão dizendo e responder de forma construtiva (audição ativa).
·         Habilidades para resolução de conflitos: para lidar com atritos e inevitáveis tensões.
·         Habilidades de negociação: para articular diferentes grupos para que eles possam alcançar metas mutuamente acordadas.
·         Habilidades motivacionais: para alinhar a uma meta pessoas que podem não se reportar a você.

Definir etapas detalhadas para alcançar as metas almejadas é uma atividade de gerenciamento que ocorre durante o processo de planejamento e elaboração de orçamento. Alocar os recursos necessários para atingir as metas almejadas é uma atividade de gestão que ocorre durante o processo de planejamento e elaboração de orçamento. Essas atividades estão de acordo com o objetivo do gerenciamento: obter resultados bem definidos e consistentes.

Habilidades de gestão são essenciais. Entretanto, um mercado de constantes mudanças econômicas e sociais vem progressivamente exigindo que gestores também se tornem líderes. Como resultado, a habilidade para liderar – ou seja, identificar uma visão, alinhar as pessoas por trás dessa visão e motivá-las a alcançar essa visão – se tornou ainda mais fundamental para os gestores dos dias de hoje.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Seu chefe não está nem aí pra você

A vida não é como na ficção, mas quando lemos a literatura sobre gestão de pessoas – ou o ideal dela – temos a impressão que vivemos um mundo de maravilhas nos relacionamentos interpessoais entre patrões e empregados.




Outro dia falei sobre quem precisa de LÍDER, que de certa forma tem a ver com este assunto. Algo como o Líder papai urso, aquele que “identifica as necessidades, sonhos e metas de seus colaboradores”, o mais comum de se encontrar nas orientações sobre liderança e gestão de pessoas.

Susan Cramm - em uma breve entrevista ao SaiadoLugar , fundadora e presidente da Valuedance, articulista da Harvard Business Review, ex-CIO e ex-CFO da rede de restaurantes Chevy’s e do Taco Bellsobre a diferença entre Gerente e Líder, asseverou:

“A definição clássica é que gerentes fazem as coisas da maneira certa, e os líderes fazem as coisas certas. Indo de acordo com essa definição, é consistente dizer que líderes são os mais importantes agentes de mudança e inovação. Líderes iniciam a mudança e gerentes respondem à mudança.”

Papo cabeça, rs. Não consigo entender a insistência em se criar definições mirabolantes para o ato de gerir. Então, se um gerente, seguindo a definição acima, tiver um insight genial de inovação para sua empresa, deixa de ser gerente e passa a ser líder?

Mas o maior problema que vejo na literatura sobre gestão de pessoas é que colocam empregados, administradores e empresas no mesmo saco, como se a regra fosse igual para qualquer tipo de negócio, e não é. Um restaurante com 10 pessoas na equipe tem dimensões culturais, de valores e administrativas bem diferentes das de uma instituição financeira com 100 mil empregados. Concorda?

Ainda da entrevista de Susan Cramm destaquei esta parte de uma resposta sobre fator motivacional:

Motivar as pessoas não é o trabalho de um líder, seu trabalho é contratar pessoas motivadas e não desmotivá-las. As pessoas querem ser desafiadas, respeitadas e conectadas.”

A afirmação de tão respeitável profissional sobre motivação detona muita coisa sobre o “papel” do líder. Como não acredito na figura do líder da maneira como se apregoa, concordo plenamente com o fato de que pessoas motivadas o são por diversas razões, mas dificilmente em virtude do “feitiço” do líder.

Declaração como abaixo, retirada de algum artigo “motivacional”, é completamente descabida.

Muitas vezes, imagina-se que a motivação só se promove com premiação financeira, mas não é com dinheiro que o profissional compra um lugar no grupo ou aceitação social. Uma simples valorização pública feita pelo líder pode, muitas vezes, superar tremendamente bônus financeiros.”

Não existe “valorização pública” que supere o bônus financeiro resultante de seu esforço. Agora, se junto da premiação vier o elogio, melhor.

Mas, vamos ao chefe.

O gerente é um ser humano como você, com dias de humor duvidoso, alegrias, estresse (às vezes mais que você), metas, cobranças, ambições pessoais e etc. Quando falo que ele não está nem ai para você significa que os interesses dele vem antes dos seus.

Não são interesses escusos ou antiéticos (ao menos é o que se espera), mas interesses naturais a quem busca progressão funcional e destaque dentro da organização. Para isso ele busca cercar-se de empregados com CHA, que na formação de conjunto ideal para contratação de pessoas significa: Conhecimento que é o saber; Habilidade, que é o saber fazer e Atitude, que é a predisposição para fazer.

Além das características desejáveis para uma produtividade elevada, seu chefe precisa administrar as diferenças naturais aos indivíduos de modo a propiciar um clima organizacional com o mínimo de conflitos.

Poderia citar inúmeras atribuições afeitas ao gestor, mas a busca por melhorias como a do clima organizacional, o melhor desempenho da equipe, o tratamento cordial e ético, entre outras, visam sempre o resultado buscado pela empresa e que, inevitavelmente, refletirão no desempenho e no destino do chefe.

Portanto, a não ser que você acredite na realidade do filme AVATAR, onde um fuzileiro paraplégico é “catapultado” para um mundo colorido e interligado na forma de um LÍDER guerreiro, com inteligência acima da média para aquela sociedade, e com o objetivo de salvá-los da destruição, veja a vida corporativa, principalmente em relação ao seu chefe, como uma realidade humana com todos seus defeitos e qualidades, e com raríssimos insights de heroísmo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Quem precisa de Líder?

Lider Jim Jones

De quando em vez aparecem termos pomposos, mais parecidos com expressões retiradas do manual da tecnomistificação do que para alguma função prática. Expressões como governança corporativa - que nada mais é do que a administração de uma empresa -, ou colaborador, termo muito usado pelos “lideres” para designar seus “seguidores”, quando na verdade colaborador é aquele que não é remunerado ou por fazer filantropia, assistência religiosa (colaborar na obra da igreja, por exemplo), ou aquele que escreve para uma redação como “freela”, recebendo pelo trabalho avulso. Ou seja, não é parte permanente do quadro de pessoal. Em sua empresa existem funcionários ou empregados do quadro permanente.
Os terceirizados ou colaboradores são aqueles que prestam serviços sem vínculo empregatício direto. Exemplo disso são os técnicos que dão manutenção ao equipamento de uma grande empresa por contrato de prestação de serviços.
Mas soa como algo religioso, uma grande obra! Meus COLABORADORES contribuem na construção deste projeto!

Você conhece alguém que diz: sou colaborador daquela empresa, no lugar de: sou empregado daquela empresa? Ou ainda, conhece alguém que diz: fulano é meu líder na empresa, no lugar de: fulano é meu gerente na empresa?
Você colabora com o dízimo? Muito bem, isso é voluntarioso e demonstração de religiosidade. Mas para colaborar com o dízimo é preciso trabalhar e auferir renda com o suor da labuta.

Mas vamos falar do LÍDER.

São centenas de definições para LÍDER, milhares de livros, palestras e artigos sobre o assunto e muitas rodas de boteco sobre lideres, liderança...
Tem o Líder educador, Líder inspirador, líder disso, daquilo... Tudo bobagem.
Jesus foi um líder, Gandhi foi um líder, Hitler foi um líder, mas poucos desses líderes foram bons gestores. Hitler não gerenciou adequadamente sua estratégia de dominação, e mesmo sendo um ícone político ideológico para seus seguidores, perdeu a guerra.
Liderar é dirigir na qualidade de líder, como um régulo, pequeno ou jovem rei; xógum, líder militar supremo, no Japão, que chegou a suplantar o poder do imperador, ou um guru, líder religioso budista ou hindu.

líder (inglês leader)
s. 2 gén.
1. Pessoa que exerce influência sobre o comportamento, pensamento ou opinião dos outros.

Repare que quando a imprensa fala do crime organizado, refere-se ao chefe do bando com líder do tráfico da favela tal, mas quando fala do comércio de drogas, fala em gerente do ponto de venda ou “boca de fumo” (não vou entrar no mérito desse tipo de comércio).
O líder é sempre um influenciador persuasivo, e a persuasão do traficante, por exemplo, é a força de uma HK dourada, a persuasão do político é a influência, do Papa é a fé cristã e assim por diante.

Decerto que pessoas como Steve Jobs (Apple), não só atrai talentos para a sua empresa como influencia pessoas de espírito criativo e inovador, são as exceções incontestáveis. Jobs nunca foi famoso por suas habilidades gerenciais, mas por seu irrefutável talento como inovador do design. Dizem que o símbolo da Apple inspira a criatividade. Já tentou fitar a maça na hora de criar? Na verdade, Apple e Jobs se fundem e quando se fala em um ou noutro, não tem como separá-los na formação do argumento. Há pouco tempo quando Jobs estava doente e se afastou dos negócios muitos se perguntaram: O que será da Apple?
Vamos deixar as exceções de lado. O que acontece é que estou cansado da repetitiva retórica sobre LIDER (trechos da literatura do tema que anda por aí):

1 - “O líder deve oferecer uma causa para o time e não apenas estabelecer metas pra serem cumpridas. “É preciso oferecer algo que transcenda o emprego deles, criar expectativas na equipe”. Ele deve dar o porquê para que os colaboradores suportem o como", explica o consultor. Dessa forma os funcionários têm algo que justifique o sacrifício deles e os mantém estimulados a produzir melhor
- Seria algo como na música Cazuza, “Ideologia, eu quero uma pra viver”?
Note que a dupla líder e colaborador são inseparáveis.
Bobagem!
O que as pessoas querem (ou buscam) é conduzir suas vidas e não serem guiadas.
Bill Gates:
“No próximo século (estamos nele), os lideres serão aqueles capazes de promover o empowerment das pessoas.” - Os caras do Google fazem isso muito bem, mas ninguém sai por ai falando que Larry Page e Sergey Brin são semi-deuses ou lideres. Eles são geniais visionários e também exímios empreendedores (agora mesmo estão querendo entrar no negócio de energia elétrica nos EUA). As pessoas que trabalham para o Google são escolhidas com lente de aumento, mas o resto da história todos já sabem.
2 -Para você ser um líder, sua principal tarefa, a partir de agora, será ouvir, observar, servir, executar e concluir. Assim, seus passos serão seguidos, sua voz será ouvida, sua energia influenciará a todos à sua volta e, naturalmente, sua liderança será conhecida e reconhecida.”.
Chega a ser até engraçado ler estas coisas. Vai dos sentidos humanos (sim, se temos ouvido e visão, temos de usá-los) ao mais básico até para o pessoal da limpeza, mas parece um mantra sagrado do livro mágico dos lideres. A bíblia tem coisa melhor:
- “Se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” – I Corintios 14:8 > mandei bem para uma palestra?

3 - “Para ser um grande líder, você tem de estar afinado com o progresso e jamais se tornar um dinossauro ultrapassado.”
Não é sacanagem, estas coisas são faladas por ai em palestras motivacionais.

4 - “Lembre-se de que todos são importantes – Quando todas as pessoas são importantes e sabem disso, elas chegam felizes ao trabalho e ficam ansiosas por retribuir com energia, criatividade e lealdade.”
Vou provar que consigo fazer melhor citando o Jack Welch:
- “Leve um regador cheio numa das mãos e fertilizante na outra. Regue os empregados-sementes, e observe como o jardim se desenvolve. Sempre haverá ervas daninhas. Arranque-as e o jardim terminará exuberante.” Todos são importantes quando correspondem expectativas (e devem ser recompensados por isso).

5 - “Amanhece. Em um zoológico, os animais começam a acordar. Entre eles, um imenso tigre albino abre os olhos, espreguiça-se e começa a filosofar sobre liderança (...)”
“(...) o tigre, nos ensina estão as sete habilidades do treinador de animais. O que, transportando do mundo do zoológico à realidade, equivale a chamar de sete habilidades do líder:”
Assim, o tigre e seus tratadores transformam o zoológico em um lugar melhor para se trabalhar e viver e, mais que isso, fazem com que os visitantes (clientes) se sintam bem ali dentro e queiram voltar outro dia (...)” -
livro Os passos do tigre.

Bizarrices como esta que em forma de fábula traz o mesmo blá, blá, blá de sempre: Seja sempre transparente; Dê valor às opiniões alheias; Conheça as necessidades e desejos dos “colaboradores”; Aprenda a ser mais respeitado que querido...: ·.

Resumo da ópera
É muito difícil influenciar comportamento dentro das empresas nos dias atuais, principalmente as gerações dos céticos (entre 30 e 39 anos), da internet (entre 25 e 29 anos), e a dos juniores (menos de 24 anos); ou seja, influenciar pela idolatria, gerações que têm pressa em conquistar cargos e melhor remuneração. Aliás, a geração internet e os juniores são os carreiristas do século 21 – visam ascensão rápida e se dispõem a trabalhar mais para alcançar posições mais altas. Afirmam que são eles que dão o rumo para a carreira -, embora apontem atritos nas disputas e critiquem o foco em interesses individuais quando percebem isso no chefe. A força motriz dos mais jovens é de fato a conquista de cargos e não necessariamente de resultados. Nesse item, os céticos deixam claro que querem, além de nova posição, reconhecimento financeiro. Acha que eles têm tempo para seguir o “líder”? Conhece a brincadeira de criança: “Tudo Que Seu Mestre Mandar?”.
Gerenciar empresas é a arte de administrar recursos financeiros e humanos de maneira ótima dentro dos objetivos planejados para o negócio.
Jack Welch conhecia pelo nome cerca de 1500 funcionários do grupo GE e eliminou a figura do chefe. Segundo Welch, para ter sucesso você deve derrubar as barreiras internas. Quanto menos fronteiras internas, maior a eficiência da empresa. Note que a dica de Welch - com a autoridade do eleito executivo do século – fala de eficiência empresarial e não de oba, oba sobre como ser um “líder sem fronteiras”.
Uma pesquisa da Stanton Chase International/Grupo Foco, de 2008, realizada nos países latino-americanos, concluiu que pelo menos 46% de todos os profissionais entrevistados, das diversas gerações e países, reclamaram de já terem tido chefes difíceis. Segundo a mesma pesquisa, para tornar-se um gestor eficiente e não um tirano é necessário as seguintes características:
- Nunca transmitir desprezo ou humilhar os subordinados;
- Sempre dar feedback;
- Jamais ser ditatorial;
- Preocupar-se com a comunicação;
- Demonstrar satisfação com o trabalho dos subordinados;
- Saber delegar tarefas;
- Preocupar-se com a carreira de sua equipe;
- Reconhecer o mérito de idéias e inovações de outros;
- Ser gentil;
- Elogiar sempre que necessário;
- Não ser manipulador;
- Sempre explicar com franqueza as razões da demissão
.

Parece coisa de manual do líder. Mas não é. É apenas o mínimo que um profissional que exerce atividade de LIDERANÇA deve possuir na bagagem.

liderança s. f.
Comando, direção, hegemonia...

Muita gente fala sobre liderança como sendo o resultado da atividade de um líder (que é liderar). Liderança não tem nenhuma relação com Líder. Liderança neste caso tem a ver com o ato de dirigir ou comandar, a atribuição do dirigente.
Na carreira profissional não devemos ter um líder para seguir, mas dirigentes com visão de gestão humanizada, preparados na administração de suas atividades dentro de empresas que buscam destaque em seus segmentos de forma profissional, ética e sustentável (ou deveriam). Essas empresas devem ter valores e sua cultura muito bem disseminada entre seus funcionários, de todos os níveis.
“Desastres mandam avisos. O desafio é conseguir lê-los.”José Galló (Lojas Renner).

Um bom executivo, além de determinado, consegue antever ameaças e dar respostas a elas. E nisso podemos englobar todos os aspectos corporativos, não tendo nenhuma relação com a tal mítica do líder.

Se você é candidato a executivo, saiba que não existe substituto para o conhecimento apurado. Conheça a si mesmo, conheça seu negócio, conheça quem trabalha para você.

Dicas de gerenciamento:

“Use a ferramenta apropriada para o serviço. Deixe que a ferramenta faça o serviço. Cuide de suas ferramentas.” – Stanley E. West.
“Cerque-se das melhores pessoas que puder, delegue autoridade e não interfira.” – Ronald Reagan.
“O importante não é o quanto você paga para alguém, mas quanto essa pessoa lhe custa.” – Will Rogers
“A competição entre os indivíduos joga uns contra os outros e prejudica o moral, mas a competição entre as organizações eleva o moral e estimula a criatividade.” – George Washington Allston
“Cerque-se de céticos, não de ingênuos que dizem o que você deseja ouvir. Exija também que seus empregados de confiança lhe contem a verdade, obrigando-o a recuar sempre que o virem cometer um erro de avaliação.” – David F. D’Alessandro
Pra finalizar, transcrevo algumas lições de Magim Rodrigues Junior, ex-presidente da Lacta, da Brahma e da AMBEV, que deixou o mundo corporativo para se dedicar à pecuária, seu maior sonho:

- Simplicidade operacional, corte de custos e bonificação. É a cartilha da AMBEV;
- Prefira empresas mais ágeis, com menos níveis hierárquicos e adeptas de soluções simples. Mas isso não é fórmula pronta para o sucesso.
- Uma grande empresa e uma padaria são iguais. Dependem de um sujeito competente que controle o caixa, observe a entrada e a saída de mercadorias e cuide para que seus custos sejam cada vez menores, de modo que as margens aumentem mês a mês. O que importa é o resultado, não o estilo de gestão.
- Dinheiro é a única maneira eficaz de motivação. E só se consegue um bom resultado com pessoas motivadas.
- Uma companhia pode ter executivos mais velhos. Mas deve mesclar essa experiência com a juventude.
Sei que este texto pode parecer arrogante ou gerar polêmica, mas modismos dessa natureza só servem para vender livros e palestras, criando um monte de alienados em busca da medalha de líder. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o assunto.
Paulo Rubini - Consultor de Empresas @mkt360graus

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sucesso: chave para decifrar grandes líderes está na história de vida

Continuando com liderança e lideres, um artigo bem instigante.
Boa leitura.
Paulo Rubini, Consultor de Empresas.


Por * Bill George - UOL Economia

Depois de analisar a vida de executivos de sucesso, os autores do livro "Confie em você", Bill George e Peter Sims*, chegaram à seguinte conclusão: a chave para decifrar os grandes líderes não está em características comuns encontradas em todos eles, mas na história de vida de cada um.

Eles entrevistaram 125 estrelas do mundo corporativo norte-americano, entre executivos, empreendedores e empresários. "Tudo que você precisa para ser um grande líder já está dentro de você", explicaram os autores. Características como perseverança, automotivação e audácia, tão citadas para traçar um perfil de líder, estão equivocadas.

Os grandes líderes

Segundo os autores, a escola, a faculdade, os amigos e até mesmo os famosos MBAs não são a fonte para a formação de um grande líder. De onde eles vêm, então? Segundo o livro, a única característica que une essas pessoas é a confiança em si, que as fazem seguir seus princípios, mesmo se estes divergirem dos da empresa.

No passado destes profissionais, na infância e juventude, eles encontraram qual a missão de suas carreiras. Eles conseguiram explicar qual era o propósito do presente e o sentido do futuro. Desta maneira, conseguiram traçar a direção certa para alcançar seus objetivos.

Exemplos reais

Eles contam a história do fundador da rede de cafeterias Starbucks, Howard Schultz, que foi o primeiro empresário dos Estados Unidos a estender benefícios a todos os seus funcionários, inclusive os temporários. De onde veio esta idéia, que motivou ainda mais os colaboradores? Da infância do fundador.

Quando Schultz era garoto, seu pai perdeu o emprego e os benefícios. Sem dinheiro e com muitas dívidas, a família passou frio e fome. "As dificuldades de meu pai estão intimamente relacionadas à cultura e aos valores da Starbucks. Eu queria criar uma empresa na qual meu pai nunca teve chance de trabalhar, onde você poderia ser respeitado e valorizado, não importa de onde veio, a cor da pele ou o grau de instrução", diz Schultz.

Quando criança, o presidente do conselho e CEO (Chief Executive Officer) do laboratório Novartis, Dan Vasella, ficou internado num sanatório para tratamento de tuberculose, seguida de meningite. Uma vez, um médico, ao invés de apelar para a força para lhe aplicar uma injeção, explicou calmamente a Vasella o que iria fazer. Deixou, até mesmo, ele segurar a mão da enfermeira.

Em gratidão, deu um abraço no médico, que lhe retribuiu o gesto. "Esses gestos tão humanos de interesse e compaixão me tocaram profundamente e me ajudaram a definir o tipo de pessoa que eu queria ser quando crescesse", diz
Vasella.


* Bill George é consultor e professor de práticas de gestão na Harvard Business School; Peter Sims foi um dos fundadores do escritório londrino da Summit Partners e idealizou a disciplina "Perspectivas em Liderança" na Stanford Graduate School Business.



terça-feira, 8 de abril de 2008

Como liderar os líderes

Agora, o outro lado da moeda com as dicas do Ricardo Jordão Magalhães e seu site que quebra tudo, o BizRevolution.

Segundo Ricardo,
"O dia em que os funcionários param de trazer problemas para o líder é o dia que o líder para de liderá-los. Ou eles perderam a confiança no líder ou eles pensam que o líder não se importa. Seja lá qual for o caso, tá na hora de mandar o líder embora."

Ele enumera
uma lista de 9 coisas (não me pergunte porquê não 10) que você pode fazer para liderar o líder, caso contrário, se você não liderar o seu líder, você provavelmente acabará sendo consumido por ele.

Vamos à lista do Ricardo Jordão:

1. Mantenha-o informado sobre todas as coisas certas que você faz. Se o cara não é do tipo "comunicador", ele provavelmente não mantêm o chefe dele atualizado sobre as coisas boas que vocês fazem. Ajude-o a se comunicar. Apresente a ele 1x por mês um relatório sobre as atividades que você faz em um formato que ele consiga apresentar para outras pessoas (powerpoint), e ainda possa acrescentar as coisas dele e de outros colegas.


2. Diga a ele o que você quer fazer. Ao final desses relatórios, aponte os projetos que você quer tocar. A quantidade de gente frustrada que eu encontro por ai porque não é chamada para fazer determinados projetos que acreditam que poderiam fazer é enorme. Seria bacana se o chefe fosse um cara ligado nos sonhos e carreiras dos seus funcionários, mas a prática não é bem assim. Lembre-o constantemente sobre as iniciativas e responsabilidades que você quer abraçar. Infelizmente, às vezes não é por mal, o cara esquece.


3. Esteja sempre preparado. Nunca entre na sala do seu chefe com um caderno de anotações com a página em branco. A propósito, essa é uma das coisas que mais me irrita: gente grande que entra em uma sala de reuniões pronta para anotar as coisas, mas sem nenhuma preparação para a reunião. Entenda preparação como fazer a sua lição de casa. Daqui há alguns instantes você vai encontrar o seu chefe, o que ele pode te perguntar? Tenha os números, fatos, relatórios, estudos, tudo pronto, sempre, para responder aos seus questionamentos. Para cada 1 hora de reunião com o seu chefe, você deveria passar pelo menos 30 minutos se preparando.


4. Como o seu chefe é medido. O seu chefe também tem chefe. O seu chefe provavelmente tem bônus e precisa entregar algum tipo de resultado. Qual resultado é esse? O que tira o sono dele? Quais são os seus objetivos e metas pessoais? Você está ai nessa empresa para ajudá-lo a atingir esses objetivos. Alinhe-se com as metas do seu chefe. Vigie-se para apresentar os seus projetos e iniciativas de maneira que estejam alinhadas com as coisas que realmente preocupam o seu chefe.


5. Seja um indivíduo de palavra. Se você disser que vai fazer algo, faça. Não espere que ele te cobre nada. Você tem que apresentar proativamente as coisas que promete. Sempre. Quando você deixa o contrário acontecer, você está prejudicando consideravelmente o seu futuro na empresa.


6. Não tenha pressa. A academia, a faculdade, a namorada, o jantar, tudo pode esperar alguns minutos ou horas. Mostre-se sempre disposto a trocar tudo por uma meia hora a mais para finalizar o trabalho que precisa ser feito para amanhã.


7. Gandalf em alguma coisa. Os líderes precisam de funcionários entendidos em algum tipo de assunto. Por que você foi contratado? Você diria que você é o melhor cara que faz o que você faz na sua região? Você é percebido como o melhor na sua função? Entenda "o melhor na sua função" como o melhor cara técnico na sua função. Você não precisa ser um super funcionário que sabe se relacionar com as pessoas, ser um mega comunicador etc, mas você precisa saber fazer algo técnico com excelência. O vendedor não precisa dominar todas as técnicas de vendas, mas precisa ser percebido como o melhor para uma determinada função de vendas, como por exemplo "abrir negócios" ou "fechar negócios". O excelente marketeiro não é aquele que domina TUDO sobre marketing, mas que sabe tudo uma determinada matéria do marketing, exemplo: marketing de relacionamento. Qual é o conhecimento que você domina tanto, que seria capaz de montar um curso de 16 horas a respeito?


8. Influencie aqueles que influenciam o seu chefe. O seu chefe provavelmente participa de reuniões com outros chefes. Nessas reuniões, você não sabe, mas eventualmente os chefes citam, elogiam e criticam o trabalho de funcionários que não são exatamente os seus funcionários. Faça a lista de todas as pessoas que se relacionam com o seu chefe. Quais são os seus objetivos? Quais são as suas funções? Quais são as suas necessidades? Relacione-se com eles, ajude-os a atingir os seus objetivos. Exemplos, envie artigos sobre finanças para o financeiro, envie estudos sobre marketing para o marketeiro, compartilhe análises sobre logística com o líder da logística e assim por diante.


9. Aprenda sobre a vida do seu chefe. Quantos anos ele tem? Onde ele já trabalhou? Ele têm filhos? Q que ele deseja para a sua família? Mostre-se interessado na vida do seu chefe. Eu tive um chefe que mencionava a todo momento os projetos que havia feito na 3M e que gostaria de fazer na nova empresa. Quais projetos foram esses? Mostre-se interessado no assunto, e durante um almoço informal, pergunte sobre a carreira dele na 3M e os projetos que realizou. Você provavelmente estará se adiantando a todas as idéias que ele um dia trará para a empresa. Felizmente ou infelizmente, no final do dia, tentamos fazer hoje o que fizemos ontem porque achamos que ainda funciona. Às vezes funciona, na maioria das vezes não.


Eu finalizo dizendo que LIDERES são seres especiais e aliar-se aos VERDADEIROS LIDERES é, antes de tudo, uma atitude inteligente, profissionalmente.

Paulo Rubini, Consultor de Empresas

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O LÍDER EFICAZ

Por Don Peppers, Martha Rogers Ph.D.

Parece-me que os líderes mais eficientes naquilo que fazem jamais dizem "eu". Palavras do grande Peter Drucker, já falecido. Concordamos. Os líderes mais eficientes são aqueles que colocam os interesses de seus empregados e clientes à frente dos próprios interesses. Identificamos cinco características comuns aos líderes eficazes, para quem o cliente é seu principal ativo.

1. Promovem o equilíbrio entre as obrigações financeiras de curto prazo e a estratégia de longo prazo do cliente. Mike MacDonald, presidente de contas globais e de operações de marketing da Xerox, aprendeu que o cliente pode passar pelos mesmos ciclos de contração e crescimento pelos quais a Xerox já passou. Portanto, atua de tal modo que o bom relacionamento com sua clientela estenda-se pelo tempo que for necessário. "Digamos que uma conta (um cliente) precise passar da impressão em preto-e-branco para a impressão em cores. Nós o ajudamos a modificar seu negócio, mesmo que isso signifique geração menor de receitas a curto prazo. Se temos um bom cliente, cremos que nossa relação com ele perdurará por um bom tempo, por isso procuramos tratá-lo com a devida atenção."

2. Recorrem ao insight do cliente e o consideram uma ferramenta importante para a condução de todos os aspectos de seu negócio. Muitas empresas adotaram a prática de coletar informações sobre os clientes. Mas o verdadeiro líder descobrirá meios de disseminar essas informações em áreas da empresa que possam convertê-las em ação. Depois de analisar de que modo os clientes faziam a faxina em suas casas e de convocar vários departamentos para que trabalhassem essas informações, Bob Godfroid, gerente de design do produto da P&G, liderou a criação do sistema de limpeza portátil CarpetFlick. Da concepção à distribuição do produto passaram-se apenas 20 meses.

3. Põem a mão na massa. Já documentamos as melhores práticas de empresas como Toyota, Samsung, Intuit e Virgin Mobile, nas quais a alta gerência insiste em que todos os executivos passem algum tempo na região onde moram os clientes. Howard Schultz, CEO da Starbucks, teria dito que visita mais de 25 lojas de outras empresas semanalmente.

4. Tratam os funcionários como clientes. O verdadeiro líder deve se assegurar de que o trabalho seja uma experiência para o empregado, não um tormento. Antes de inaugurar duas lojas no ano passado, a rede de supermercados Wegmans, com 69 filiais, fretou aviões para levar os novos funcionários a Rochester para encontrar o CEO, Danny Wegman. A rede tem um índice de rotatividade de 8%. A regra, nesse setor, é de 84%.

5. Incorporam a confiança do consumidor à empresa e a integram à cultura de seus funcionários. Um líder centrado no cliente pode perfeitamente dar conta das características acima, mas se não instilar um sentimento de confiança entre os empregados e os clientes, terá sido tudo em vão.

Matéria originalmente publicada na revista Época Negócios do mês de janeiro/2008.