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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Coaching e a Neurociência - parte 2

O poder do foco.


Os neurônios se comunicam por um tipo de sinalização eletroquímica que é impulsionada pelo movimento de íons como sódio, potássio e cálcio. Esses íons viajam por dentro do cérebro e isso significa que o cérebro é um ambiente quântico; portanto, sujeito a todas as surpreendentes leis da mecânica quântica. Uma delas é a do efeito Zeno quântico (!) ou EZQ. Descrito em 1977 pelo físico George Sudarshan.


O EZQ está relacionado ao já estabelecido efeito do observador da física quântica: o comportamento e a posição de qualquer entidade de tamanho atômico, como um átomo, elétron ou íon, parecem mudar quando são observados. Isso está ligado à natureza probalística da entidade observada. No EZQ, quando se observa qualquer sistema de maneira repetitiva suficientemente rápida, reduz-se a velocidade com que esse sistema muda.


“Na física quântica, como no resto da vida, uma vasilha que está sendo observada nunca ferve”.


Aplicado à neurociência, o EZQ afirma que o ato mental de concentrara atenção estabiliza os circuitos cerebrais associados. Concentrar a atenção em uma experiência mental seja um pensamento, uma percepção, uma imagem no olho de sua mente ou um temor, mantém o estado cerebral que surge em associação com essa experiência.


Os cientistas cognitivos sabem a uns 20 anos que o cérebro é capaz de mudanças internas significativas em resposta a mudanças ambientais, um achado surpreendente quando constatado pela primeira vez. Sabemos agora também que o cérebro muda em função de onde um indivíduo concentra sua atenção. O poder está no foco.


A atenção reformula continuamente os padrões do cérebro. Entre as implicações: as pessoas que praticam um especialidade todos os dias literalmente pensam de modo diferente, por meio de conjuntos de conexões distintos, das que não praticam a especialidade. Nos negócios, profissionais em funções diversas - Finanças, Jurídico, P&D, Marketing, Design - possuem diferenças fisiológicas que os impedem de ver o mundo da mesma forma.


Depois que li este parágrafo pude ver que realmente vejo tudo com o olhar de um profissional de marketing. No restaurante que freqüento, nas compras, nos relacionamentos comerciais e etc. Sempre com aquela visão: "poxa, os caras daqui precisavam dar uma melhora no modo de atende". "Este PDV poderia atacar de tecnologia digital nas gôndolas..."


Os cientistas cognitivos estão constatando que os mapas mentais, as teorias, as expectativas e as atitudes das pessoas desempenham papel mais central na percepção humana do que se entendia anteriormente e a expectativa molda a realidade.


Então como se deve proceder em relação à facilitação da mudança? O impacto dos mapas mentais sugere que uma maneira de começar é cultivar os momentos de percepção (insight). A mudança de comportamento em larga escala exige uma mudança dos mapas mentais em larga escala. Isso, por sua vez, requer algum tipo de evento ou experiência que permita que as pessoas se desafiem, de fato, a mudar sua atitudes e expectativas de forma mais rápida e drástica do que normalmente o fariam.


As constatações sugerem que, em um momento de percepção, cria-se um complexo conjunto de novas conexões. Tais conexões têm o potencial de aprimorar os recursos mentais e superar a resistência do cérebro à mudança. Contudo para conseguir isso, dada à memória de trabalho limitada do cérebro, é necessário fazer um esforço deliberado para fixar uma percepção ao prestar atenção repetida nela.


É por isso que os funcionários precisam “ser os donos” de qualquer tipo de iniciativa para que ela tenha sucesso. E é por isso que os líderes que querem mudar a forma de pensar das pessoas de sua equipe devem aprender a reconhecer, encorajar e aprofundar as percepções delas.


Para que as percepções sejam úteis, elas precisam ser geradas de dentro, não dadas aos indivíduos como conclusões. Isso é verdade por vários motivos. Primeiro as pessoas sentirão o surto de percepção como adrenalina somente se passarem pelo processo de elas próprias fazerem as conexões.


Em segundo lugar, as redes neurais são influenciadas de momento a momento pelos genes, experiências e padrões de atenção variados. Embora todas as pessoas tenham algumas funções amplas em comum, na verdade cada uma possui uma arquitetura cerebral única. Os cérebros humanos são tão complexos e individuais que é quase inútil tentar imaginar como outra pessoa deveria reorganizar seu pensamento. É muito mais eficaz e eficiente ajudar os outros a chegar a suas próprias percepções. Para realizar esse feito, é preciso a auto-observação. Em A teoria dos Sentimentos Morais (1759), Adam Smith referiu-se a isso como “os espectadores de nosso próprio comportamento”.


O termo “densidade de atenção” está sendo cada vez mais usado para definir a quantidade de atenção prestada a determinada experiência mental em dado tempo. Quanto maior a concentração em uma idéia ou experiência mental específica, maior a densidade de atenção. Na física quântica, a densidade de atenção coloca em ação o EZQ e faz com que novos circuitos do cérebro sejam estabilizados e, assim, desenvolvidos. Com densidade de atenção suficiente, os pensamentos e atos individuais da mente podem se tornar uma parte intrínseca da identidade de um indivíduo: quem somos nós, como percebemos o mundo e como nosso cérebro funciona. O termo que os neurocientistas usam para isso é “neuroplasticidade autodirecionada”.


Um estudo de 1997 com 31 gerentes do setor público realizado por pesquisadores do Buruch College constatou que um programa de treinamento aumentava a produtividade em 28%, mas o acréscimo de um coach ao treinamento aumentava a produtividade em 88%.


Talvez qualquer mudança de comportamento provocada por líderes, terapeutas ou coachs seja primariamente uma função de sua capacidade de induzir os outros a concentrar sua atenção em idéias específicas, com freqüência e por tempo suficiente.

Espero que tenha gostado do resumo que fiz. Deixe sua opinião.

Até a próxima.

Paulo Rubini, Consultor de Marketing

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