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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Seu chefe não está nem aí pra você

A vida não é como na ficção, mas quando lemos a literatura sobre gestão de pessoas – ou o ideal dela – temos a impressão que vivemos um mundo de maravilhas nos relacionamentos interpessoais entre patrões e empregados.




Outro dia falei sobre quem precisa de LÍDER, que de certa forma tem a ver com este assunto. Algo como o Líder papai urso, aquele que “identifica as necessidades, sonhos e metas de seus colaboradores”, o mais comum de se encontrar nas orientações sobre liderança e gestão de pessoas.

Susan Cramm - em uma breve entrevista ao SaiadoLugar , fundadora e presidente da Valuedance, articulista da Harvard Business Review, ex-CIO e ex-CFO da rede de restaurantes Chevy’s e do Taco Bellsobre a diferença entre Gerente e Líder, asseverou:

“A definição clássica é que gerentes fazem as coisas da maneira certa, e os líderes fazem as coisas certas. Indo de acordo com essa definição, é consistente dizer que líderes são os mais importantes agentes de mudança e inovação. Líderes iniciam a mudança e gerentes respondem à mudança.”

Papo cabeça, rs. Não consigo entender a insistência em se criar definições mirabolantes para o ato de gerir. Então, se um gerente, seguindo a definição acima, tiver um insight genial de inovação para sua empresa, deixa de ser gerente e passa a ser líder?

Mas o maior problema que vejo na literatura sobre gestão de pessoas é que colocam empregados, administradores e empresas no mesmo saco, como se a regra fosse igual para qualquer tipo de negócio, e não é. Um restaurante com 10 pessoas na equipe tem dimensões culturais, de valores e administrativas bem diferentes das de uma instituição financeira com 100 mil empregados. Concorda?

Ainda da entrevista de Susan Cramm destaquei esta parte de uma resposta sobre fator motivacional:

Motivar as pessoas não é o trabalho de um líder, seu trabalho é contratar pessoas motivadas e não desmotivá-las. As pessoas querem ser desafiadas, respeitadas e conectadas.”

A afirmação de tão respeitável profissional sobre motivação detona muita coisa sobre o “papel” do líder. Como não acredito na figura do líder da maneira como se apregoa, concordo plenamente com o fato de que pessoas motivadas o são por diversas razões, mas dificilmente em virtude do “feitiço” do líder.

Declaração como abaixo, retirada de algum artigo “motivacional”, é completamente descabida.

Muitas vezes, imagina-se que a motivação só se promove com premiação financeira, mas não é com dinheiro que o profissional compra um lugar no grupo ou aceitação social. Uma simples valorização pública feita pelo líder pode, muitas vezes, superar tremendamente bônus financeiros.”

Não existe “valorização pública” que supere o bônus financeiro resultante de seu esforço. Agora, se junto da premiação vier o elogio, melhor.

Mas, vamos ao chefe.

O gerente é um ser humano como você, com dias de humor duvidoso, alegrias, estresse (às vezes mais que você), metas, cobranças, ambições pessoais e etc. Quando falo que ele não está nem ai para você significa que os interesses dele vem antes dos seus.

Não são interesses escusos ou antiéticos (ao menos é o que se espera), mas interesses naturais a quem busca progressão funcional e destaque dentro da organização. Para isso ele busca cercar-se de empregados com CHA, que na formação de conjunto ideal para contratação de pessoas significa: Conhecimento que é o saber; Habilidade, que é o saber fazer e Atitude, que é a predisposição para fazer.

Além das características desejáveis para uma produtividade elevada, seu chefe precisa administrar as diferenças naturais aos indivíduos de modo a propiciar um clima organizacional com o mínimo de conflitos.

Poderia citar inúmeras atribuições afeitas ao gestor, mas a busca por melhorias como a do clima organizacional, o melhor desempenho da equipe, o tratamento cordial e ético, entre outras, visam sempre o resultado buscado pela empresa e que, inevitavelmente, refletirão no desempenho e no destino do chefe.

Portanto, a não ser que você acredite na realidade do filme AVATAR, onde um fuzileiro paraplégico é “catapultado” para um mundo colorido e interligado na forma de um LÍDER guerreiro, com inteligência acima da média para aquela sociedade, e com o objetivo de salvá-los da destruição, veja a vida corporativa, principalmente em relação ao seu chefe, como uma realidade humana com todos seus defeitos e qualidades, e com raríssimos insights de heroísmo.

4 comentários:

Everton do N. Siqueira disse...

Caraca, que texto complicado Kkkkkkkkkkkkkk...dessa vez vou precisar ler com calma depois pra captar a mensagem....

Só passei mesmo pra avisar que selecionei teu blog para uma "lista de blogs indicados" está lá no menu lateral do meu: www.marketingsemmascara.blogspot.com

Paulo Rubini disse...

Valeu Everton. obrigado pela preferência, rs.
Cara, o texto não é complicado. Estou numa fase de "desmascarar" certos conceitos pré-fabricados ou enlatados. Ao menos do meu ponto de vista em virtude de minha longa carreira na área de vendas, mkt e talz.
Abs

Ricardo Scarione Camargo disse...

Primeiramente devo dizer que achei o texto bastante ousado, o que o tornou mais interessante.

Bem, vamos lá:

- Observo a figura do Gerente como um cargo, Liderança e a como uma conquista de respeito independente do cargo. Este respeito vem devido a uma série de atitudes que fazem outros o seguirem.
Sem querer falar de religião, mas um exemplo clássico é Jesus Cristo, que apesar de não possuir nenhum cargo, fez com que muitos o seguissem e confiassem em suas palavras.
Também achei muito enigmática a definição da Susan Cramm sobre Lider e Gerente. Caso eu não tivesse esta minha visão quanto a líder e gerencia eu ficaria confuso, mas o que S.C. quer dizer é que as empresas precisam mais de pessoas com "atitudes" de liderança do que gerentes.

- Concordo quando você diz que deve-se considerar as particularidades de cada empresa, não existem formulas secretas, por isso que marketing é fascinante e complicado.

- Fato, motivação é algo pessoal, deve partir da pessoa. Um grande erro que vejo são palestrantes e empresas que ainda acreditam no resultado de palestras "motivacionais", sendo que estas surtem apenas animo momentâneo. Ao invés de contratar palestras deste tipo deveriam investir em treinamentos que sejam de interesse para a empresa e funcionários (conhecimento de produtos, atendimento, equipe e etc).
A respeito do que foi afirmado por S.C., com certeza a falta de desafios ou desafios inatingíveis abalam a motivação de funcionários.


Devo afirmar que seu texto foi muito bom por tomar em consideração as dificuldades do mundo real e imperfeito.

Devo dizer que existem empresas que possuem lideres e estas empresas consegue manter o ambiente de trabalho muito mais agradável, mas sempre existirão empresas que foram congeladas no tempo, gestores e sócios desatualizados que dificultam o crescimento da empresa por estarem acostumados a trabalhar de uma certa forma por anos.

Sei que o mundo ideal nunca será alcançado, mas também sei que existem empresas que aplicam um pouco do ideal para tentar alcança-lo.

Ricardo Scarione Camargo disse...

ah sim,
Parabéns pelo Blog!