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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Marketing político ou eleitoral?

Em tempos de eleições, o tal do “marketeiro político” é o cara!


Muita coisa nem é tão original assim, como o Benchmarking à moda tupiniquim que candidatos à presidência vêm adotando. Lembra-se do “Yes, we can!” do Obama? Na versão adaptada tem o “Sim, podemos mais!” e até o “queremos mais” da Globo, fazendo alusão velada (ou nem tanto) para a campanha de seu candidato tucano (atualmente fora do ar).

Não vou aqui lamuriar com aquela conversa de que o marketeiro político é o cara responsável pela fama do marketing oportunista antiético e blá, blá, blá, mas tentar referenciá-lo como ciência por trás de quase tudo, inclusive da política.

Antes de tudo, precisamos diferenciar o marketing político do marketing eleitoral. O primeiro diz respeito ao planejamento estratégico de longo prazo para aqueles que desejam uma vida longa na vida pública, e o segundo poderíamos dizer que é o planejamento tático eleitoral; apenas para um determinado sufrágio eleitoral.

Acredito que no Brasil apenas alguns abastados e de tradicionais famílias políticas têm oportunidade de planejar uma trajetória política, como o governador de Minas, Aécio Neves. A maioria cai mesmo é de pára-quedas no ano eleitoral com malas de dinheiro, seja para defender interesses classistas, interesses partidários ou qualquer outro interesse de última hora. Não que isso seja obrigatoriamente sinônimo de desonestidade, mas talvez seja a origem de alguns problemas de percepção do marketing.

Marketing é o grande guarda-chuva. É a estratégia geral que abrange produto, adequação ao mercado, preço, distribuição nos pontos-de-venda, etc. Embora os políticos possam utilizar-se do marketing mix, o “P" da promoção, do meu ponto de vista, seria o carro chefe do planejamento estratégico político.

Publicidade ou Propaganda?

Há pessoas que confundem os dois conceitos no jargão do dia-a-dia, pois a diferença é muito tênue. Mas, academicamente, Publicidade é mais abrangente que Propaganda, englobando todas as formas de comunicação: Merchandising, Marketing Direto, novos meios etc. Então, a publicidade tem mais relação com o marketing político e a propaganda teria um impacto imediato dentro do que entendo por marketing eleitoral.

Utilizar o marketing para ampliar os horizontes políticos não deve ser visto como uma coisa ruim. Se o político faz, pode e precisa mostrar seu trabalho de uma maneira profissional e limpa, mas para isso, da mesma forma que fazem as empresas, deve ter um posicionamento bem delineado para a percepção do eleitorado. Posicionamento é processo de marketing e comunicação que determina a posição da marca e/ou produto na mente do cliente/consumidor em potencial, de forma a produzir atitudes favoráveis e comportamento de compra. Ou seja, com que qualidade, com que preço, para quais segmentos do mercado (prioritários e secundários), qual a imagem construída etc.


Por analogia, seguindo a definição de posicionamento, o candidato a cargo eletivo tem uma marca pessoal (ou deveria ter) para ser posicionado, de preferência com apoio de nichos específicos aos quais ele representa. Seu eleitor é seu cliente/consumidor e deve ser muito bem persuadido para “comprar” sua proposta.

Brand Equity: saúde da marca, força, aura da marca, vantagem competitiva atribuída à marca, associações, conhecimento, lealdade.

Sr. candidato, em tempos de tantos escândalos de corrupção, planeje sua carreira política dentro de princípios transparentes, sejam eles de esquerda, de centro ou de direita. Só assim, com assertividade e verdade é que construirá uma boa reputação, um brand equity político de valor.

A dica que daria para qualquer político neste momento seria a de que as mídias sociais vão ser decisivas nesta eleição. No final do ano me condenem se errar o prognóstico.

domingo, 6 de julho de 2008

Administrar? É simples assim...

Acompanho a evolução do grupo empresarial São Bernardo há alguns anos, especialmente o desempenho de seu presidente, o Dr. Walter (Walter Luiz Dalla Bernardina), como comumente é chamado.

Para quem não conhece – e a maioria não deve conhecer, por ser do interior do ES, Colatina. – O grupo empresarial é composto por algumas empresas, mais destacadamente o Plano de Saúde São Bernardo e o Apart Hospital.

Em 2004, o grupo foi premiado por estar entre as 100 melhores empresas para se trabalhar e 50 melhores empresas para as mulheres trabalharem, culminando, em 2006, com o prêmio de melhor empresa do Brasil para a mulher trabalhar, concedido pela revista Exame Você S.A.

Tive a oportunidade de prestar serviços para o grupo durante algum tempo e pude perceber o acirrado perfil empreendedor e inovador de seu presidente, um médico ortopedista que sem nenhuma experiência administrativa alcançou o sucesso empresarial, antes mesmo das pós-graduações em Gestão Empresarial e Marketing pela FGV e Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral.

Bem, este artigo é para falar de seu livro: “Administrar? É simples assim...”

A primeira vista seria uma leitura técnica a la Peter Drucker - o pai da administração - com esclarecimentos sobre estratégias, gestão do todo, planos de ação ou, - melhor ainda!- um estudo para benchmarking. Nada disso.

O livro é realmente simples (literalmente falando), despretensioso, como o autor afirma. Porém, administrar não é tão simples como o seu título.

O livro traz algumas dicas importantes sobre a gestão humanística de pessoas - o cerne da administração do grupo -, como a valorização e acompanhamento do indivíduo dentro e fora das paredes da empresa, decisões colegiadas, espaço para a iniciativa inovadora, oferecimento de custeio para formação acadêmica para colaboradores e seus filhos, entre outras.

Família, religiosidade e afeto permeiam o livro de 190 páginas, dividido em capítulos marcados por bilhetes que o Dr.Walter normalmente envia para seus liderados, coisa que Jack Welch gostava muito de fazer. Aliás, cheguei a perguntar ao autor, há alguns anos, sobre sua admiração pelo ex-CEO da GE, considerado o executivo do século XX, e ele disse-me conhecer muito sobre a carreira de Welch.

Muito de Jack Welch pode ser notado no modo de administrar do Dr. Walter. A baixa hierarquia é um exemplo..

Temos que criar a cultura de baixa hierarquia para que consigamos ver e sentir a nossa empresa através do feedback de nossos colaboradores.” (pág. 154)

Jack Welch conhecia pelo nome cerca de 1500 funcionários do grupo GE e eliminou a figura do chefe. Segundo Welch, para ter sucesso você deve derrubar as barreiras internas. Quanto menos fronteiras internas, maior a eficiência da empresa.

Welch deu a seguinte receita para a derrubada das fronteiras verticais e horizontais dentro de uma empresa:

1- Acabe com a inibição geral de atravessar uma fronteira – encorage os gerentes a falar diretamente com os subordinados de outros gerentes e vice-versa.

2- Use programas de treinamento e força-tarefa para misturar pessoas de diferentes níveis verticais num arranjo não-hierárquico.

3- Recorra a equipes interdepartamentais e multifuncionais para derrubar as barreiras horizontais.

4- Faça com que as pessoas que se relacionam com outras áreas da empresa avaliem o serviço recebido; distribua recompensas conforme a avaliação.

5- “Faça misturas”, proposital, positiva e frequentemente.

6- Encorage as pessoas a visitar outras com quem possam aprender.

As dicas acima estão (quase todas) contidas nas entrelinhas do livro do Dr. Walter

Mesmo estando nos créditos bibliográficos, Walter não faz citações a Welch, como o fez com outros autores.

Dois capítulos me chamaram muito a atenção. O primeiro começa com a frase: “Quanto você quer ganhar?”- (pergunta que a direção do grupo fez a seus colaboradores). O que, num primeiro momento poderia parecer uma loucura, foi uma estratégia - abordada passo a passo no livro - que resultou numa satisfação geral por parte dos funcionários, uma vez que conseguiram alcançar, em alguns casos, salários acima da média de mercado. Essa sistemática de negociação salarial foi destaque na revista Você S/A na edição especial de 2006: “150 melhores empresas para você trabalhar”.

O outro tem o título: Primeiro o progresso, depois a ordem. A teoria da desordem como alavanca para o progresso é relatada da seguinte forma:

“Não consigo visualizar uma empresa perfeitamente organizada que esteja progredindo. O progresso exige uma certa desordem, para que nós, colaboradores da empresa, saiamos da zona de conforto e nos reorganizemos para uma nova realidade.”

Ordem e progresso? Que nada, na zona de conforto as coisas não acontecem.

Walter cita como exemplo o pós-operatório de uma cirurgia plástica estética de rosto. O médico tem de ter todo o cuidado de explicar que os edemas, hematomas, pontos e sangramentos do dia seguinte à cirurgia não correspondem ao resultado que será obtido, que em muitos casos superam as expectativas do cliente. Ou seja: progresso e depois ordem.

O que o autor tenta passar é que o crescimento deve anteceder à organização, pois do contrário nunca criaremos ambiente para o atingirmos novas demandas.

Se você pretende encontrar o “caminho das pedras” para administrar com a simplicidade defendida pelo título, pode tirar o cavalo da chuva. Mas se quiser conhecer um pouco da personalidade do empresário Walter Luiz Dalla Bernardina, vale a leitura.

Liderança é influência – John Maxwell

Esta é a definição favorita de Dr. Walter sobre liderança. E a sua, qual é?


Paulo Rubini, Consultor de Empresas.

"Ninguém que queira fazer tudo sozinho, ou que ambicione ficar com todo o crédito pelo que faz, será um grande líder." - Andrew Carnegie - Esta é a minha preferida sobre Liderança.