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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Consumo deve ganhar espaço na economia

jornal O Estado de S. Paulo 16/01/2010 - Jacqueline Farid

O consumo das famílias vai crescer bem acima da média da economia em 2010, segundo um estudo inédito que a Confederação Nacional do Comércio (CNC) vai divulgar nesta segunda-feira. O economista-chefe da instituição, Carlos Thadeu de Freitas, adiantou que o levantamento mostrará que as famílias estão otimistas, com capacidade de endividamento elevada e com intenções renovadas de aquisição de bens de consumo duráveis.

Segundo ele, de acordo com dados do IBGE, o consumo das famílias, que chegou a uma participação de 64% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2000, regressou a um patamar de 61% em 2008, no qual deve ter permanecido em 2009 - os dados finais sobre o desempenho da economia no ano passado serão apresentados em março - podendo subir para 63% em 2010.

CICLO

Pelas contas de Thadeu de Freitas, o consumo das famílias vai crescer 8% em 2010, acima da variação prevista para o PIB no ano, entre 5% e 6%. "Estamos entrando agora num novo ciclo favorável de expansão do consumo, como o que ocorreu depois do início do Plano Real, mas agora a expectativa é de que esse ciclo seja mais longo."

O otimismo de Thadeu de Freitas está ancorado, no curto prazo, nos bons resultados apontados pela pesquisa que apresentará na segunda-feira e, em prazo mais longo, nas perspectivas de inflação, renda dos trabalhadores e emprego no País. Ele acredita que a participação do consumo das famílias deve aumentar de forma persistente daqui para frente.

"Nos Estados Unidos, a fatia é de 70% do PIB. Podemos tranquilamente chegar a esse patamar no Brasil daqui a alguns anos, o País tem um grande mercado interno", diz.

Mas, para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, a participação do consumo das famílias no PIB já deve ter atingido 64% no ano passado - levando-se em consideração os dados já divulgados e referentes ao acumulado até o terceiro trimestre. A partir daí, deve ficar inalterada pelo menos este ano, já que, mesmo com a continuidade no aumento do consumo, os investimentos vão crescer mais e ganhar espaço na economia.

INVESTIMENTOS

A estimativa da MB é que o consumo das famílias cresça 5,8% em 2010, um pouco abaixo da expansão prevista para o PIB (6%). No que diz respeito ao ano passado, a projeção é que os dados a serem apresentados pelo IBGE mostrem uma variação de -0,1% no PIB, ante um aumento de 3,7% no consumo familiar. "Quem tem mais chance de ganhar espaço no PIB nos próximos anos são os investimentos", diz Vale.

A CNC divulgará duas pesquisas de âmbito nacional nesta segunda: de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) e Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). Segundo Thadeu de Freitas, enquanto as pesquisas de confiança dos consumidores atualmente divulgadas por várias instituições questionam as pessoas individualmente, as perguntas formuladas na ICF estão voltadas para as famílias.

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