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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

É oito ou oitenta

Nada mais fácil do que cair em armadilhas docemente preparadas por nossa língua pátria.
Achei este texto por aí e resolvi deixá-lo bem aqui para eventuais consultas na hora de blogar.
Até porque só pode ser punido quem foi penalizado.

Medicação x Medicamento
Ouve-se freqüentemente que pacientes tomam toda a medicação receitada. Enquanto a receita não inclui panos quentes e aparelhos de fisioterapia, é provável que não ocorra tragédia. O certo é que se quer afirmar que o paciente ingere todos os medicamentos, os remédios. Medicação é todo o conjunto de ações prescritas que geralmente inclui os medicamentos.

Perigosas semelhanças
Arrochar: Apertar muito. Arroxar: tornar roxo. Portanto, arroxar pode ser conseqüência de arrochar.
Ás: especialista notável; carta de jogo. Az: ala, fileira do exército.
Asado: que tem asas. Azado: oportuno, propício.
Assoar: limpar o nariz. Assuar: vaiar, apupar.

Descoberta x Descobrimento
A descoberta do Brasil se deu há apenas 500 anos. Ao autor da frase falta descobrir que foi o descobrimento do Brasil que se deu em 1500, e não a descoberta. Usa-se descoberta quando se trata de invenção, ou seja, de algo que ainda não existia, como vacinas, medicamentos, bomba atômica etc. O Brasil já existia antes de 1500; apenas não era conhecido do mundo civilizado.

Observância x Observação
Freqüentemente encontramos a palavra observação sendo usada com o mesmo sentido de observância. Para que não se incorra nesse erro, é só lembrar que observância tem o sentido de cumprimento: observância (cumprimento) das leis.

Epidemia animal?
É comum ouvir dizer de animais que morreram de epidemias. Epidemia só pode se referir a pessoas, pois demos, do grego, significa povo. Como solucionar o impasse? Indo ao próprio grego, que nos dá zoon, que significa animal, daí epizootia. Portanto, os animais morreram de epizootia.

A unanimidade do consenso
Todos sabem que consenso implica unanimidade. Mesmo assim, ouvem-se freqüentemente frases como: Embora o consenso não seja unânime... Houve consenso entre todos... De maneira geral, há unanimidade... Pela mesma razão, não se pode falar em consenso geral, pois se não for geral não há consenso. Portanto, basta dizer consenso.

Há ou havia?
Ela esperava há mais de uma hora. O tempo verbal da frase é o pretérito imperfeito (esperava), devendo o verbo haver acompanhar esse tempo (havia). Para tirar a prova dos noves, basta trocar haver por fazer, e ninguém duvidará de que o correto é fazia. Portanto: Ela esperava havia (fazia) mais de uma hora.

Saque x Saqueio
O refém foi vítima de saque. Saque deriva de sacar, e não de saquear. Portanto, o refém foi vítima de saqueio, e não de saque. Trata-se de erro em vias de consagração, tanto assim que já há dicionário que admite as duas formas. Quando vamos parar de consagrar equívocos?

Útero materno
Quanto ao útero materno, é bom lembrar que Deus não quis e a ciência ainda não conseguiu desenvolver útero paterno. Por isso, convém ser conciso e não perder tempo, dizendo apenas útero

Votos e desejos
Desejo-lhe votos de felicidade. O verbo desejar carrega consigo o mesmo sentido do substantivo votos; portanto limitemo-nos a desejar felicidades, pois, além de nos comunicarmos melhor, não levaremos a outra parte a desconfiar de excessos.

Mal/mau, bem/bom
Como a dúvida sempre ocorre com relação a mal/mau, e não com respeito a bem/bom, deve-se lembrar que mal corresponde a bem (advérbios) e bom é o contrário de mau (adjetivos). Portanto: As estradas estão mal/bem conservadas. As estradas estão em mau/bom estado.

Cidade x Município
Muitos usam as palavras cidade e município como se fossem sinônimas, quando, na verdade, significam coisas bem diferentes. Cidade refere apenas o núcleo urbano, enquanto município abrange todo o território, urbano e rural.

Em busca da verdade
Fato verídico. Todo fato é verídico, porque só é fato aquilo que já aconteceu. O fato é que se deve escolher entre: É fato e É verídico. O resto é errado, portanto inverídico.

Diferenças
Calúnia: acusação falsa, com o objetivo de causar dano. Difamação: desfazer a boa fama. Infâmia: difundir a má fama de alguém, com o objetivo de arrasar. Injúria: injustiça. Ultraje: insulto escandaloso.

Carente x pobre
Carentes de quê? De afeto, comida, roupa, calçados, de tudo ? Carente é palavra carente de significado, necessitando sempre ser completada. Quem carece, carece de alguma coisa. Em síntese, carente não é sinônimo de pobre.

Há 15 dias atrás - Há indica tempo passado; atrás, nessa frase, também. Por que tanto passadismo ? Opte-se por uma das formas: Há 15 dias; ou Quinze dias atrás.

Breve alocução - Toda alocução é breve. É o que significa a palavra alocução. Por tanto, em breve alocução há redundância. Quando se dá esse nome a um longo discurso, a redundância será enriquecida com uma mentira.

Segmento x Seguimento
Para não errar, basta ficar atento à origem das palavras, segmento deriva de segmentar (segmento é uma das porções resultantes da segmentação), enquanto seguimento deriva de seguir (seguimento é o que segue).

Legal, legítimo, lícito, permitido - Legal: que está previsto em lei. Legítimo: que emana da vontade popular, baseando-se no direito, na razão e na justiça. Lícito: que não é proibido por lei, não é objeto de lei. Permitido: que é autorizado por lei

Punir x Penalizar
Quando se diz, por exemplo, que os grevistas serão penalizados, ficamos penalizados com quem o diz e com a língua portuguesa, que, mais uma vez, está sendo punida. Explicando melhor: o verbo penalizar deriva de pena, referindo-se sempre e unicamente a algo, ou alguém, que causa pena, dó. Quando se quer expressar a idéia de castigo, punição, deve-se usar o verbo punir. Portanto, para o bem do bom Português, os infratores serão punidos.

Teto x Mínimo/máximo
Fala-se seguidamente em teto salarial máximo e, mais ainda, em piso salarial mínimo. Trata-se de redundâncias absurdas. Piso é piso, é onde se pisa. Abaixo disso só se pode pisar rebaixando o piso. Aplicando-se isso ao salário do trabalhador, o fato de se acrescentar mínimo em nada diminui a remuneração. Portanto, diga-se apenas: piso salarial. No outro extremo, mas dentro do mesmo raciocínio, está o teto. Quando se fala em teto salarial, já se sabe que se fala do máximo, bastando dizer: teto salarial.

3 comentários:

Douglas Soares disse...

ótimo!

Ingrid Normando disse...

Há algum tempo venho acompanhando o seu blog, e ele está cada vez melhor!
PArabéns!

Paulo Rubini disse...

Olá, Douglas e Ingrid. A nossa língua é "danadinha", como diz o Marcelo Tas.
Ingrid, vi que gosta de moda. Veja um blog de cliente meu:
uotblog.blogspot.com
Abraço e obrigado. Sou um blogabnegado, rs.