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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ser vítima da moda ou ter estilo?

Hoje quero apresentar-lhes uma amiga de muita competência: Lorena Bragatto. Além de escrever muitíssimo bem, Lorena é jornalista, apresentadora de TV e Assessora de Imprensa.

O artigo sacado de um site sobre comportamento, onde é articulista, revela o lado cruel da escravidão da moda.


Vamos a ele.

A moda é composta de diversos estilos influenciados por vários aspectos. É abordada como um fenômeno sócio-cultural que expressa os valores da sociedade - usos, hábitos, costumes de um determinado tempo.

Uma imagem construída com inteligência e charme ajuda na comunicação com o outro, incorpora confiança, e não é apenas uma questão de vaidade, mas de sobrevivência. Porém, poucas pessoas têm segurança suficiente para parecerem sofisticadas sem exagerar. Um dos maiores erros que cometem em relação à roupa é querer mostrar tudo o que possuem de uma só vez. Para estar bem vestido e bonito não necessariamente precisa-se de etiquetas e nem de estar “inteiramente” na moda.

Quando uma pessoa se torna escrava da moda é provável que esteja faltando algo a seu senso de identidade. Há pessoas que compram suas roupas “inteiramente” baseadas nas tendências das passarelas, e quando a atenção às tendências supera o bom senso ou até o bom gosto, uma consumidora de moda pode, com muita facilidade, tornar-se vítima da moda.

O estilista dominicano Oscar de la Renta, foi quem, há anos, cunhou a expressão “vítima da moda” numa entrevista à conceituada revista W - “Vítima da moda é a pessoa que permite que a vestimenta eclipse sua personalidade, normalmente quando exercem esta condição estão lidando, inconscientemente, com a baixa auto-estima, insegurança sexual, competição, inveja”. Segundo psicólogos, grande parte das pessoas lida ou já vivenciou esses sentimentos algum dia. Valentino, estilista italiano, disse que “ser vítima da moda ou seguí-la de tal maneira que todos os outros aspectos da vida se tornem secundários é um erro enorme”.

Temerosa de que, se não lançar mão de determinados estereótipos não será aceita pelos outros, a vítima da moda fica “exageradamente” ligada no que as outras pessoas irão pensar de sua roupa, jóia, sapato...Com isso despreza o conforto, e até mesmo a originalidade.

O desejo incessante de “estar” com estilo é, na verdade, o desejo de ser levada em conta. A preocupação da vítima da moda não é a de que sua roupa a valorize, mas a de que esteja “na moda”. Ousar com qualquer coisa fora dos padrões, para ela é por demais ameaçador. Estilo é algo que não se “está” com ele, é algo que “se tem” ou “não se tem”, e não se compra! Segundo o estilista Tom Ford: “moda é muito diferente de estilo, quando você encontrar o que lhe fica bem, seja fiel ao gênero”. E o dicionário Houaiss está aqui para nos confirmar - “Estilo: maneira particular de se expressar, de se vestir, de viver...”, e mais ainda, uma das mulheres mais elegantes do país, Costanza Pascolato, fala em seu livro “O Essencial” que: “Não é a roupa que veste você, é você que veste a roupa. Modas passam, mas o estilo permanece”.

A compulsão de copiar uma imagem mercadológica idealizada é como que um retorno à adolescência, época em que é normal buscar aprovação dos semelhantes e lutar para se “encaixar” no grupo. Nesse estágio da vida, a personalidade ainda não está plenamente desenvolvida e a associação com os colegas sustenta o sentido de identidade. Infelizmente, muitas pessoas permanecem, sob o ponto de vista emocional, subdesenvolvidas mesmo depois de atingirem a idade adulta. Continuam precisando “desesperadamente” de aprovação externa, e estar perfeitamente dentro dos padrões pré-determinados pela moda parece ser uma boa maneira de conseguir isso.

Adoro o poder que a moda tem de se, e de nos reinventar, portanto, não se trata aqui de levantar bandeira a favor do desleixado ou “out fashion”, penso até que esta também é uma maneira que algumas pessoas usam para chamar a atenção de algo ou de alguém, mas, sobretudo, sou a favor do bem estar, de se sentir bem dentro da roupa: como pode alguém se achar atraente e estar confortável com o botão da calça a ponto de estourar, ou a costura “pocar” de tão apertada? Bem disse um dia Coco Chanel, estilista francesa - “O luxo tem que ser confortável ou não é luxo”.

É preciso preencher nossos vazios pessoais nos valorizando, aceitando e trabalhando o que há de melhor em nós, seja no físico ou nas atitudes. E, sobretudo, procurarmos alcançar satisfação em tudo que temos e fazemos, nossos empreendimentos, nossas relações... Quando aprendermos a apreciar nossas qualidades “únicas” e a gostar de quem somos, não vamos mais travar lutas com nós mesmos. Em vez disso, vamos fazer emergir um estilo unicamente nosso, digo, o próprio de cada um. O compasso ideal de moda deve vir de dentro de cada pessoa, ou seja, saiba extrair da moda o que ela possui que melhor lhe cai bem. Quando você tomar consciência disso, vai se orgulhar da sua estética e, dentro dos limites do bom gosto, irá projetar a pessoa que você verdadeiramente é, e será mais livre e feliz! Boa sorte e sucesso nas suas escolhas!


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