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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Beautility

Época Negócios
8 de Abril de 2008
Por Patricia Vasconcellos

"O que vende é a embalagem"

Como conquistar o consumidor? Seduzindo pela forma e pela beleza do produto e de sua embalagem. “A função do designer é satisfazer a hierarquia das necessidades humanas”, diz Tucker Viemeister, premiado designer americano que está no Brasil para participar, como jurado, do Prêmio Idea Brasil, promovido pela ONG Objeto Brasil em parceria com Época NEGÓCIOS .

Não adianta ser útil e não ser belo. Um produto tem de seduzir. Assim pensa Tucker Viemeister, designer do Studio Red – empresa nova-iorquina ligada ao Rockwell Group – e criador de produtos premiados para empresas como Coca-Cola, McDonalds e Joe Boxer. Em visita ao Brasil, Tucker participou na noite desta segunda-feira (7/4), em São Paulo, do 1º Encontro Idea Brasil. O seminário integra o calendário do Prêmio Idea Brasil, a edição brasileira do respeitado concurso de design dos Estados Unidos, o International Design Excellence Award.

Criado no fim dos anos 70 nos Estados Unidos, a competição chega à América do Sul organizada pela ONG Objeto Brasil em parceria com Época NEGÓCIOS. Viemeister está entre os jurados e avisa: procurará nos projetos o conceito que definiu como beautility – em português, uma junção de duas palavras: beleza e utilidade. “Se um objeto ou uma peça funciona bem mas não tem uma aparência boa então não é um trabalho bom. O mesmo conceito vale para o pensamentocontrário. Se o produto parece bonito mas não funciona bem também não é realmente maravilhoso.” Em entrevista exclusiva à Época Negócios, Viemeister vai ainda mais longe: diz que a maioria dos consumidores escolhe um produto pela maneira que ele se apresenta - pela forma ou pela embalagem. “No fim das contas, todos são seduzidos”, diz. Para comprovar essa teoria ele mostra uma pirâmide como aquela da cadeia alimentar, tão estudada nas escolas. Na base está a sobrevivência, o que precisamos para viver no dia-a-dia. Um pouco acima, diversão. Mais acima, paz, e, no topo, beleza. Assim ele resume todo o conceito do que ele chama de hierarquia das necessidades humanas. “Se você não pode fazer algo cada vez mais lindo, qual a questão em jogo?”.

Viemeister exemplifica sua tese citando um produto que ajudou a desenvolver. Um carrinho da Coca-Cola que trazia na parte da frente uma pequena geladeira. Uma pesquisa feita com consumidores desses carrinhos mostrou que 43% disseram achar a bebida mais saborosa. “O produto era o mesmo, exatamente o mesmo refrigerante encontrado em qualquer restaurante. Apesar disso, muitos consumidores afirmaram que a sensação ao consumir a bebida mudou pelo simples fato de ela ser entregue por algo que lhes agradasse a visão”, afirmou. “É pensando sob esa ótica que o designer deve trabalhar. As empresas devem perceber que o design vende por si mesmo, que o importante é trabalhar os dois conceitos ao mesmo tempo: forma e função”.

O designer americano, dono de 32 patentes nos Estados Unidos, dá mais um exemplo: os objetos de cozinha que criou para a marca OXO Good Grips. “Criei descascadores de cenoura, de batatas que não eram somente utilitários de cozinha mas objetos de diversão. O sucesso de um produto ou de uma marca está ligado também à experiência que esse produto proporciona ao consumidor.” Ou seja, o designer deve estar também sempre ligado ao sensorial. Viemeister acredita por exemplo que ao entrarmos em uma loja, deveríamos ter sempre uma experiência inesquecível. “Os lugares são importantes: móveis, cor, música, ambientação.” Se nos sentimos bem em um restaurante por exemplo, consumimos mais, ele diz. “Tudo deve ser pensado na interatividade.” Ao mesmo tempo em que ele dá esse conceito, aparecem no computador fotos de um restaurante idealizado por ele em Nova York. O menu interativo foi colocado no balcão em telas de cristal líquido. Borboletas são projetadas nas paredes e se movem dependendo da maneira que o cliente se posiciona na frente delas. “O design nos faz mais espertos e também torna os produtos mais baratos. Caro é, na verdade, um produto mal projetado”.

Época NEGÓCIOS – Como voce definiria “beautility”?
Tucker Viemeister – Criei esse termo pensando nos norte-americanos. Pelo que vejo, os brasileiros entendem melhor por que beleza é importante. Nos Estados Unidos muitas pessoas são muito práticas, não querem gastar dinheiro por algo frívolo como fazer um objeto mais bonito. Eu quis mostrar que beleza tem um valor e pode ser algo bom para as pessoas. Se um hospital tiver um aspecto interessante, as pessoas ficarão melhores mais rapidamente. Mas eu acho que os brasileiros já têm essa cultura. Eles sempre fazem algo parecer melhor do que é. Eles pintam suas casas de cores mais claras do que se deve ser.

NEGÓCIOS – O que é mais importante? A funcionalidade de uma peça ou a estética? Viemeister – Um bom designer não pensa se um objeto ou uma criação deve ser bela ou funcional. Esses dois conceitos são pensados sempre juntos. Para mim, forma e função aparecem ao mesmo tempo. Boas criações são aquelas que são belas e funcionam bem ao mesmo tempo. Se algo funciona bem mas não tem uma aparência boa então não é maravilhosa e vice-versa. Se parece bonito mas não funciona bem não é realmente maravilhoso.

NEGÓCIOS – Uma peça de design deve emocionar?
Viemeister – Acho que as pessoas devem se emocionar mas acredito que design é mais que isso: é intelectual. Por exemplo, o trabalho de Einstein é belo. Tudo que ele fez foi simples e elegante. Um produto muito mais belo que qualquer estrela de cinema. A beleza desenvolve um lado intelectual.

NEGÓCIOS – Qual seu trabalho preferido?
Viemeister – Good grips, peças de cozinha é um bom exemplo. Fizeram muito sucesso, e as pessoas adoram. Eu gosto mas para mim não é um grande negócio assim como é para as outras pessoas. Por exemplo, meu pai, que também era designer, criou o Tucker [marca de carro], e agora todos só perguntam a ele sobre isso. Na verdade, ele trabalhou apenas três meses de toda sua carreira neste projeto. Por isso, não é algo que ele considere tão relevante.

NEGÓCIOS – Quais projetos ou marcas o senhor considera maravilhosos?
Viemeister – Eu amo tudo que a Apple faz. Como eles aparentam, são funcionais, interativos. Tudo é lindo. O MacbookPro, por exemplo, é muito clean, um formato que me agrada muito. O Mustang foi um bom carro, mas hoje em dia acredito que há muito para ser feito nesse ramo. Nenhum carro hoje em dia é bom o bastante. Muitos deles parecem o mesmo, falta criatividade. Apesar que, recentemente, estive envolvido num projeto com a Toyota e me dei conta do quão dificil é projetar um carro. Há muitas pessoas envolvidas, muito marketing, engenharia. Acho que por isso os italianos são tão bons em criar carros. Porque eles são focados. Sabem trabalhar em grupo.

NEGÓCIOS – Como você vê o design no Brasil?
Viemeister – O design no Brasil é quente, há muita coisa interessante aqui. Comparando com outros países, acho que o Brasil ocupa uma posição bem privilegiada com grandes talentos. Os irmãos Campana são famosos no mundo inteiro, e acho o trabalho deles magnífico. Acredito que o maior problema do Brasil é o tamanho. Por ser tão grande, fica difícil organizar um setor. É cada um por si. Por exemplo, os designers alemães divulgam o trabalho deles pelo mundo afora porque eles fazem parte de um país muito pequeno. O Brasil é tão grande, há muitas oportunidades, mas elas não aparecem porque falta interação no setor.

NEGÓCIOS – Se voce tivesse que criar uma peça que representasse o Brasil, como ela seria?
Viemeister – Acho que qualquer peça que fosse representar o Brasil deveria ter música no conceito. Seria uma boa metáfora. Algo com movimento, que parecesse dançar, porque assim vejo esse país. O samba é espetacular, muito emocional. Acho que Brasil, China e Índia são os três países com potencial para design entre outras coisas. A Índia tem grandes cérebros, na China, tudo avança muito rápido, e aqui no Brasil é essa sensualidade. Para representar esse país eu criaria algo que parecesse estar dançando.

Veja a galeria de imagens dos produtos vencedores do prêmio americano IDEA de 2007


Muito bom!

Sempre acreditei nesse conceito sobre a embalagem aliada à funcionalidade:

"Forma e função aparecem ao mesmo tempo."

E você? o que pensa sobre o assunto?

Paulo Rubini, Consultor de Empresas.





Um comentário:

fienni disse...

Ótima matéria!!!!!!!!!!!!!!!
assino embaixo...eu que mexo com desgin, vejo todos os dias que que a coisa mais fácil do mundo, que é simplismente colocar um profissional de bom gosto com total autonomia na parte de criação, é deixada de lado sempre por causa da porra do dono da empresa que sempre mete o dedo e estraga tudo colocando em xeque o sucesso do produto final.....
Thiago Fienni