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domingo, 9 de março de 2008

Viva a dissidência!

Por Don Peppers, Martha Rogers Ph.D.


Em uma época de rápidas mudanças, a inovação é a única garantia de sobrevivência das empresas, e a discordância é a chave para a inovação. Em nossas pesquisas para o próximo livro, observamos que empresas que encorajam uma cultura de respeitosa e criativa discordância tendem a se destacar, tornando-se líderes não apenas em satisfação e fidelidade de clientes, mas também em inovação.


Quão importante é inovar? Um estudo da BusinessWeek realizado em 2006 demonstrou que 25 grandes corporações que investem em inovação têm, em média, um aumento de lucro de 3,4% ao ano, muito acima da média, que é de 0,4%. A inovação faz diferença nos resultados financeiros e, para se beneficiar, as empresas devem aprender a encorajar novas idéias.


Google, Apple e Toyota estão entre as empresas que descobriram como fazer isso. O Google, por exemplo, é famoso por pedir aos funcionários que utilizem ao menos 15% de seu tempo em projetos independentes. E a empresa não espera sucesso em todos os projetos, pois o fracasso também é uma peça importante quando se quer inovar. Portanto, deve-se tolerar a discordância e abraçar as falhas como itens necessários para se chegar à inovação.


A criatividade e a inovação surgem de diferentes pontos de vista. Por isso, as empresas não devem apenas tolerar, mas efetivamente encorajar a discordância. Pessoas criativas tendem a ter "mentes independentes", são avessas ao autoritarismo e, às vezes, um pouco inconformadas. A criatividade requer uma mistura de elementos e, ao confrontar idéias, as pessoas podem entrar em desacordos e discussões.


Se você pretende que sua empresa seja verdadeiramente inovadora, é necessário envolver pessoas criativas e saber lidar com conflitos. E as melhores decisões são tomadas por grupos compostos de especialistas e leigos. Quando eles têm apenas especialistas, normalmente gasta-se muito tempo utilizando conhecimento prévio, e pouco tempo explorando alternativas.


Curiosamente, muitas das ferramentas usadas para cortar custos e aumentar a produtividade tendem a diminuir a habilidade de cultivar opiniões divergentes. Pontos de vista diferentes são ameaças à eficiência de custos. Considere a recente experiência da 3M, reconhecida por seu alto nível de criatividade. Quando um novo CEO foi trazido para melhorar seus custos e suas operações, adotando a metodologia Seis Sigma, seus problemas de curto prazo foram resolvidos, mas sua habilidade de inovar parece ter sido neutralizada. Não existia espaço para descobertas espontâneas. O atual CEO busca equilibrar a manutenção da saúde financeira, introduzida na gestão anterior, com uma cultura inovadora.


Na próxima vez que formar uma equipe para resolver um problema, misture alguns novatos com os conselheiros mais experientes e acrescente alguns "encrenqueiros" no processo, pois é muito fácil esquecer a grande verdade sobre a inovação: mentes brilhantes pensam... diferente!


Matéria originalmente publicada na revista Época Negócios do mês de novembro.

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